Trabalhadores que recusam a vacina contra a Covid-19 podem ser penalizados até com demissão por justa causa. A orientação do Ministério Público do Trabalho (MPT) vem se espalhando por todo o País e na semana passada o Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo (TRT-SP) confirmou a demissão por justa causa de uma auxiliar de limpeza que não quis se vacinar contra a Covid-19. A mulher trabalhava em um hospital de São Caetano do Sul, no ABC.

No Amazonas, tanto o Centro da Indústria do Amazonas (Cieam) quanto o Sindicato dos Metalúrgicos avaliam como satisfatória a adesão dos profissionais do setor à campanha de imunização, principalmente do Pólo Industrial de Manaus (PIM), que tem mobilizado empresas e isolado negacionistas que resistem à vacina.

Conforme Guia Técnico do MPT sobre vacinação contra a Covid-19, caso o trabalhador persista em recusar injustificadamente a imunização, ele “deverá ser afastado do ambiente de trabalho, sob pena de colocar em risco a imunização coletiva, e o empregador poderá aplicar sanções disciplinares, inclusive a despedida por justa causa”.

Industriários

De acordo com a versão atualizada do Plano de Operacionalização da Campanha de Vacinação no Amazonas, os trabalhadores da indústria no estão estimados em 66.525. Com a oferta de doses da vacina para toda a população adulta da capital, as empresas têm se mobilizado para conscientizar e até conduzir, com frota própria, funcionários aos pontos de vacinação.

“As empresas têm feito com que os profissionais se vacinem”, reconheceu o presidente do Cieam, Wilson Périco. “Mas não estamos usando disso (sanções) para forçar o trabalhador a se vacinar. Acho que os objetivos estão sendo atingidos. O ritmo de vacinação em Manaus é um dos melhores, e isso tem ajudado bastante as indústrias”, considerou.

A posição do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas e da Central Única dos Trabalhadores (CUT) é de que 100% dos funcionários sejam vacinados, mas o presidente do sindicato, Waldemir Santana, defende cautela diante de eventuais recusas. “A ideia é que passe a ser exigida a carteira de vacinação na admissão”, alertou.

Apesar da crise da segunda onda de casos do novo coronavírus em janeiro deste ano, a Indústria foi o setor que manteve o segundo melhor saldo de empregos no Amazonas de janeiro a maio deste ano (2.733), segundo dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Pressão

Nas empresas do Distrito Industrial, os setores de segurança do trabalho e recursos humanos têm feito controle interno da quantidade de pessoas que têm se vacinado. “O setor de segurança e medicina está cobrando a carteirinha de vacinação dos funcionários da produção. Aí muitos que não querem tomar acabam procurando a vacina com medo de perder o emprego”, revela o funcionário de uma fábrica, que pediu para não se identificar.

Em outra empresa, um médico do trabalho que recusou a vacina acabou sendo desligado por justa causa. “Um colega de trabalho disse que a direção explicou que ele deveria dar o exemplo e como não quis ser imunizado contra Covid-19, acabou sendo demitido”, contou ao Toda Hora o funcionário da empresa do ramo do varejo.

“Hoje fui tomar a segunda dose da vacina e um ‘cara’ estava revoltadíssimo porque ele tinha que tomar a vacina pra trabalhar, porque o patrão disse que ia dar a conta. Eu não sou fã de patrão, mas acho essa ideia mais certa”, disse pelo Twitter ao Toda Hora uma internauta.