O Universo Cinematográfico da Marvel (MCU) vive um momento crucial de transformação, equilibrando a enorme expectativa pelo futuro com a necessidade de revisitar e corrigir elementos do passado. Enquanto os fãs contam os dias para a estreia de “Quarteto Fantástico: Primeiros Passos”, que promete reinventar a equipe mais tradicional das HQs, o estúdio surpreende no presente com a série “Wonder Man”, disponível no Disney+. A produção não apenas introduz novos heróis, mas executa com maestria a redenção de uma das figuras mais controversas da história da franquia: Trevor Slattery.
A Chegada da Primeira Família
Com lançamento agendado para 25 de julho de 2025, o novo longa do Quarteto Fantástico carrega a responsabilidade de apresentar uma abordagem inovadora sob a produção de Kevin Feige. A direção ficou a cargo de Matt Shakman, um nome que traz confiança aos fãs devido ao seu excelente trabalho em “WandaVision”. O currículo de Shakman, que inclui sucessos da TV como “Succession” e “It’s Always Sunny in Philadelphia”, sugere que o filme manterá o humor clássico da Marvel, mas sem perder a mão no drama familiar, que é a essência do grupo.
O elenco estelar já está confirmado e tem gerado bastante burburinho. Pedro Pascal assumirá o manto de Reed Richards (Senhor Fantástico), liderando o time ao lado de Vanessa Kirby como Sue Storm (Mulher Invisível), Joseph Quinn interpretando o impetuoso Johnny Storm (Tocha Humana) e Ebon Moss-Bachrach na pele de Ben Grimm (O Coisa). O filme também trará antagonistas de peso: Ralph Ineson será o temível Galactus, enquanto Julia Garner viverá Shalla-Bal, uma versão da Surfista Prateada.
A trama será ambientada em um cenário retrofuturista dos anos 1960, onde a equipe precisará equilibrar suas obrigações heroicas com os laços afetivos, enfrentando ameaças cósmicas. O trailer já indicou que não veremos uma história de origem tradicional; o grupo já estará na ativa, contando inclusive com o auxílio do robô H.E.R.B.I.E. e do icônico veículo Fantasticar. Paira ainda no ar a dúvida sobre a participação de Robert Downey Jr. como Doutor Destino, cuja volta ao MCU foi anunciada na San Diego Comic-Con, embora não esteja claro se ele cruzará o caminho desta formação do Quarteto já neste primeiro filme.
Wonder Man e a Redenção de um “Vilão”
Enquanto aguardamos o futuro retrofuturista do Quarteto, o Disney+ nos presenteia com “Wonder Man”, considerada por muitos a melhor produção seriada do estúdio desde “WandaVision”. A série foca em Simon Williams, um homem com superpoderes que rejeita a vida de herói em favor do sonho de ser ator de cinema. No entanto, o Departamento de Controle de Danos e as regras de Hollywood contra super-humanos tornam essa jornada complicada. É nesse contexto metalinguístico sobre atuação que a Marvel traz de volta Trevor Slattery, interpretado pelo genial Ben Kingsley.
Para entender a importância desse retorno, é preciso voltar 13 anos no tempo. Em “Homem de Ferro 3”, a Marvel realizou uma de suas reviravoltas mais polêmicas ao revelar que o Mandarim, arqui-inimigo de Tony Stark, era na verdade Trevor Slattery, um ator britânico contratado para fingir ser um terrorista. Na época, a decisão enfureceu os puristas dos quadrinhos, que criticaram tanto a mudança na etnia do vilão quanto a subversão da expectativa. Contudo, o tempo provou que a performance de Kingsley e a crítica à manipulação midiática foram decisões criativas brilhantes, embora incompreendidas por uma parcela do público.
Justiça para Trevor Slattery
A série “Wonder Man” finalmente dá a Trevor o destaque que ele merece, consolidando sua reabilitação iniciada em “Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis”. Na trama, ele atua como mentor de Simon Williams. Embora inicialmente contatado pelas autoridades para se infiltrar no círculo íntimo do protagonista, Slattery demonstra seu verdadeiro valor através de lealdade e amizade, roubando a cena mais uma vez.
O que antes foi visto como um desrespeito ao material original, hoje é reconhecido como uma das camadas mais interessantes do MCU. Trevor Slattery nunca foi o problema de “Homem de Ferro 3”; pelo contrário, ele foi o ponto alto de uma tentativa ousada de subverter a fórmula de super-heróis. Agora, livre do ódio viral de uma década atrás, o personagem se firma como uma das figuras mais carismáticas e divertidas desse universo, provando que, na Marvel, sempre há espaço para segundas chances, seja para heróis novatos ou para velhos atores charlatães.