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Um incremento feito no programa “Giulia”, tecnologia de tradução que permite a comunicação entre surdos e ouvintes, vai possibilitar que o deficiente auditivo tenha acesso às informações de atrativos do Bosque da Ciência do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia sem a necessidade de um condutor para auxiliá-lo.

Idealizado pela professora da Escola Superior de Artes e Turismo da Universidade do Estado do Amazonas (Esat/UEA) Selma Paula Batista, em parceria com a Map Innovation e com o professor Manuel Cardoso, fundador do Giulia, o projeto foi contemplado, no último fim de semana, como o melhor em inovação no Brasil, na categoria Pesquisa e Desenvolvimento-P&D, do Prêmio Brasil Criativo.

Dentro da plataforma já existente, a nova possibilidade é a de mostrar um roteiro inclusivo para o deficiente auditivo no Bosque da Ciência. “Falando de oportunidade, temos, hoje, esse projeto que é inédito no mundo. Não existe atrativo acessível com essa plataforma em que o surdo possa chegar ao local, pegar um celular, realizar a leitura do QR Code e ter as informação em libras dos atrativos”, explicou a Selma Batista.

Na prática, pelo projeto intitulado  “Roteiro Inclusivo no Bosque da Ciência/Inpa”,  o  deficiente auditivo agenda uma visita ao espaço e, ao chegar no local, ele receberá um kit acessível com um celular e um crachá que permite através da leitura de QR Code iniciar a utilização da plataforma.

“Você não vai precisar do condutor do bosque para guiar você em tudo. O usuário deixa apenas o documento com foto na recepção, pega seu kit e vai fazer a autocondução, e, ao final, devolve o equipamento. Dessa forma, ele tem informações sobre os atrativos a partir de um avatar do celular falando para ele em libras”, destacou ela.

Estão disponíveis informações de 14 atrativos, como peixe-boi, Ilha da Tanibuca, ariranha, poraquê e Maloca Indígena.

O trabalho de pesquisa de iniciação científica iniciou em junho de 2017, e a implementação do “Giulia Para Surdos” no Bosque da Ciência aconteceu em maio deste ano, tendo como aluno pesquisador Thiago Pereira de Souza. O próximo passo, segundo Selma, é melhorar ainda mais plataforma que precisa de recursos para que seja expandido.

Outro roteiro

“Para avançar, nós fizemos um piloto, usando uma outra metodologia, porque o ambiente requer uma metodologia diferenciada, no Museu da Cidade. Há 11 ambientes no Paço da Liberdade que compreende esse Museu e, desses ambientes, nos já editamos um que é a sala da arqueologia”, disse ela, sobre a ideia que precisa de recursos e destaca os gargalos que envolvem a expansão.

“O gargalo é ampliar a oferta e a outra oportunidade que a gente vislumbra é que nos locais que implementarmos o Giullia, a gente tenha um estagiário surdo atuando junto”, afirmou Selma.
“A gente quer não é só oferecer uma oportunidade de inclusão do surdo nos espaços de lazer, mas, sobretudo garantir também que ele possa ao conhecer e se apropriar desses espaços culturais, seja um dos agentes a atuar nesses espaços com uma remuneração”, acrescentou a professora.

Desde maio até o momento,  a professora Selma Batista tem o conhecimento de que apenas um deficiente auditivo utilizou do método nas dependências do Bosque da Ciência do Inpa, localizado no bairro Petrópolis, Zona Centro-Sul de Manaus. Ela e o aluno pesquisador Thiago Pereira estudam maneiras de estimular que mais pessoas frequentem o espaço de modo espontâneo, sem a necessidade de acionar associações, por exemplo.

“A gente identificou a falta de fluxo. Em novembro, uma pessoa esteve na portaria e usou o aplicativo. Então, a gente entende que precisa trabalhar a divulgação do produto”, afirma. “Enquanto grupo de pesquisa, nós discutimos em como tornamos a divulgação mais acessível, sem precisar buscar o surdo em suas associações, mas que eles venha por interesse próprio, porque sabem que o espaço é acessível”, afirma.

Diante desse cenário, o Thiago Pereira destaca a importância implantar o projeto em  outros espaços culturais da capital amazonense, para ampliar não só o acesso, mas também a popularidade da plataforma tecnológica. “Quando alguém fala em acessibilidade, a primeira coisa que vem em mente é o cadeirante”, atesta.  “As pessoas começaram a colocar rampa, corrimão e isso não supre a necessidade das outras deficiências, e o surdo, por exemplo, ficou muito de lado. Tudo que a gente conhece de cultura precisa ser adaptado para libras porque a língua brasileira de sinais não é a Língua Portuguesa”, observa.