Créditos: Ilustração / Extra

Manaus – De março até novembro deste ano,  o Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) identificou 11 linhagens do Sars-CoV-2 circulando no Estado.

Segundo o pesquisador e vice-diretor de Pesquisa e Inovação do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), Felipe Naveca, o instituto realiza o sequenciamento da Sars-CoV-2 no Amazonas todos os meses.

“Nós temos 148 genomas sequenciados de todos os meses, de março até novembro, de 25 municípios. Estamos preparando dezembro”, contou o pesquisador. Até aqui, a nova linhagem encontrada no Reino Unido e que foi identificada em dois pacientes de São Paulo não teve presença registrada no Amazonas .

As 11 linhagens – popularmente conhecidas como ‘cepas’ –  do vírus presente no Amazonas atualmente são: A.2, B.1, B.1.1, B.1.1.143, B.1.1.253, B.1.1.28, B.1.1.33, B.1.111, B.1.179, B.1.35 e B.1.5. Neste fim de semana, autoridades de saúde do Japão encontraram uma linhagem inédita no País em quatro pacientes que passaram pelo Amazonas. No entanto, a linhagem encontrada não foi revelada. 

Por conta do alto número de variantes, muitos amazonenses temem que o vírus Sars-Cov possa mudar do 2 para o 3 e ser ainda mais letal. Entretanto, Naveca esclarece que não é algo tão fácil de acontecer.

“Não é assim que acontece. Para que surja o 3, provavelmente haverá um novo evento de salto de espécies para o ser humano, onde esse novo vírus será muito diferente do ponto de vista genético, ao ponto de não ser reconhecido pelo sistema imune de alguém que se infectou com o outro. Foi assim com o 1 e o 2”, esclareceu o pesquisador.

Pesquisa no Amazonas

O sequenciamento genético do novo coronavírus no Amazonas é realizado pelo Instituto Leônidas e Maria Deane (Fiocruz Amazônia), em parceria com o Laboratório Central de Saúde Pública do Amazonas (Lacen-AM) da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), e a Rede Genômica de Vigilância em Saúde, patrocinada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). Além disso, o grupo de pesquisa também recebe recursos federais da FioCruz e CNPq.

“Temos um grupo de pesquisa que está trabalhando com essa vigilância há algum tempo a exemplo de outras doenças importantes que circulam como as arboviroses e isso tem avançado no Amazonas com as parcerias principalmente com a FVS. Normalmente bimensalmente, como falei, temos 148 genomas sequenciados entre março e novembro. Dezembro está em andamento”, concluiu Felipe Naveca.

_____________________________________
Fonte: Lucas Vasconcelos / A Crítica