Após seis noites detido, é possível dimensionar como a presença de Ronaldinho Gaúcho alterou a rotina da Agrupação Especializada, penitenciária de segurança máxima onde o ex-jogador está desde a última sexta. A quarta-feira foi um dia normal de visitas, mas com um fluxo diferente. Foi maior que o esperado.

“Muitos prisioneiros receberam visitantes que nunca haviam ido vê-los antes. Na realidade, eles foram tentar tirar uma foto com Ronaldinho”, disse à agência AFP o especialista em polícia do jornal ABC, Iván Leguizamón, que declarou ter conversado com fontes no estabelecimento.

Ronaldinho tem sofrido com um calor incomum para esta época do ano em Assunção, que varia entre 35 e 40 graus. O craque brasileiro está em meio a 25 policiais que foram condenados por diversos crimes além de políticos processados por corrupção e até alguns pertencentes ao crime organizado.

A presença de Ronaldinho também seduz os detentos que participam do torneio interno de futsal, que começou na última segunda-feira. O ex-jogador recebeu convite de várias equipes diferentes na disputa pelo troféu da competição, que é insólito: um leitão de 16 quilos, segundo a AFP.

A disputa acontece principalmente entre as equipes “Los Pitufos”, “Los Cumbieros”, “Sport Espada”, “Villarreal” e “Milan”.

Ronaldinho e Assis estão em uma cela diferente, que fica localizada a 45 metros da quadra esportiva, um espaço de 30 metros de comprimento para a prática do futsal.

Ronaldinho teria dito há dois dias: “Se eu não sair (libertado), vou me integrar”, mas depois de seu revés judicial na última terça-feira, ele não apareceu mais tão regularmente, segundo testemunhas.

– Eles dizem que ele tem um dom extraordinário para agradar as pessoas. Ele responde ao carinho. Ele assina camisetas e distribuiu autógrafos, apesar do estado lógico de depressão em que se encontra – disse uma das testemunhas à AFP.

Processados no caso chegam a 14

Na quarta-feira, o Ministério Público do Paraguai indiciou mais oito pessoas, e os acusados na investigação que surgiu após o caso de Ronaldinho Gaúcho e Assis chegou a 14 processados. Entre eles, a única pessoa foragida é a empresária Dalia Lopez, responsável pela ida dos irmãos ao país.

Dentre os indiciados, estão vários funcionários da Direção Nacional da Aeronáutica Civil (Dinac), do Departamento de Investigações da Polícia Nacional e do Departamento de Migrações.

Também foi detida Stella Marys Lugo, que era vizinha das duas mulheres que expediram os passaportes posteriormente adulterados para os nomes de Ronaldinho e Assis. Stella foi apontada como a pessoa que buscou os documentos.

Ronaldinho Gaúcho e Assis seguem detidos na Agrupação Especializada da Polícia Nacional, em Assunção, onde estão desde a noite da última sexta-feira. Eles cumprem prisão preventiva decretada no sábado. Nesta quinta, a defesa dos dois irmãos deve apresentar recurso no tribunal de apelação contra a decisão do juiz Gustavo Amarilla, que manteve a prisão de ambos.