Os casos do novo coronavírus têm causado apreensão mundial. Após mortes em vários países, mensagens sobre a Covid-19 têm sido disseminadas na web. Confira algumas:

*Essa reportagem tem sido atualizada à medida que novas checagens são feitas.

Governo libera R$470,00 para beneficiários do Bolsa Família?

Fake. Circula no WhatsApp uma mensagem que promete saque de R$ 470 para beneficiários do Bolsa Família comprarem produtos de limpeza e máscaras para se prevenir contra o novo coronavírus. A corrente é falsa e o link que acompanha o texto leva para um site que pede o compartilhamento do boato. Não é recomendado fornecer informações pessoais e senhas de redes sociais em sites desconhecidos.

Novo coronavírus não resiste ao calor e à temperatura de 26ºC ou 27ºC?

Fake. A diretora do Instituto de Medicina Tropical (IMT-USP) Ester Sabino, uma das responsáveis pelo sequenciamento do genoma do novo coronavírus, afirma: “A temperatura do corpo humano é 36ºC. Portanto, esta afirmativa é falsa”.

O Ministério da Saúde também classifica a mensagem como “falsa” e reitera que não é possível afirmar que o vírus morre a uma temperatura de 26ºC ou 27ºC “uma vez que no corpo humano o vírus tolera uma temperatura de pelo menos 36ºC”. O órgão pede que ela não seja compartilhada.

Israel já tem uma vacina contra o novo coronavírus?

Fake. Não é verdade que Israel já tenha uma vacina. O que existe é uma equipe de cientistas tentando desenvolvê-la. Segundo o chefe do departamento de biotecnologia do Instituto de Pesquisa da Galiléia (Migal), Chen Katz, após quatro anos de pesquisas financiadas pelo Ministério da Ciência e Tecnologia de Israel, foi desenvolvida uma vacina eficaz contra o vírus da bronquite infecciosa do coronavírus aviário. Agora, o objetivo é fazer uma adaptação e criar uma vacina para humanos contra a Covid-19. A expectativa, segundo ele, é que em poucas semanas já exista um produto pronto para avaliação clínica. “Se tudo correr bem, uma vacina estará pronta para distribuição em poucos meses”, afirma.

Fazer gargarejo com água morna, sal e vinagre elimina o coronavírus?

Fake. Circula pelas redes sociais uma mensagem que diz que fazer gargarejo com água morna, sal e vinagre elimina o coronavírus. A mensagem falsa diz ainda que o coronavírus permanece na garganta quatro dias antes de chegar aos pulmões.

“A infecção pelo coronavírus pode dar tosse seca, dor de garganta, mas não é possível dizer que essa tosse seca seja porque o vírus está na garganta e demora tantos dias para chegar no pulmão. Isso faz parte do quadro clínico da infecção e o tempo para o vírus chegar depende de cada pessoa. Não existe um tempo certo. O gargarejo pode ser bom para ajudar no alívio da tosse, mas dizer que água morna, sal e vinagre elimina o vírus é uma grande bobagem”, afirma Leonardo Weissmann, médico infectologista e consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia.

A OMS também diz que a mensagem não faz sentido. E reforça ainda que soluções salinas usadas na lavagem do nariz não ajudam a prevenir a doença. “Há evidências limitadas de que lavar o nariz regularmente com solução salina pode ajudar as pessoas a se recuperar mais rapidamente de resfriados comuns. Entretanto, enxaguar regularmente o nariz não tem demonstrado prevenir infecções respiratórias.”

Soroterapia combate o coronavírus?

Fake. Circulam pelas redes sociais mensagens e vídeos de profissionais oferecendo soroterapia ou “shots de imunidade” para impedir os efeitos do novo coronavírus. Segundo os textos, os soros têm substâncias “nutrientes, antioxidantes e multivitamínicas” que reforçam o sistema imunológico de quem usa, combatendo a Covid-19.

Segundo a Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), a soroterapia não é um tratamento recomendado nem previne o coronavírus.

A entidade informa que “não faz parte de seus protocolos a administração de soroterapia endovenosa para a prevenção de doenças infectocontagiosas, bem como não há nenhuma evidência científica de que a infusão de soros, com qualquer dose de vitaminas, minerais, aminoácidos, antioxidantes ou outros nutrientes, tenha efeito preventivo contra o novo coronavírus”.

“Isso é falso”, diz o infectologista Sergio Cimerman, diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia. “Totalmente fake, comercial. Não tem benefício nenhum. Tem efeito zero. Não existe nenhum remédio para aumentar a imunidade.”

O Conselho Regional de Medicina de São Paulo diz que vai abrir uma sindicância para investigar o caso. Uma das pessoas que aparecem no vídeo é uma médica registrada em Ribeirão Preto (SP).

Tigela de água com alho recém-fervida cura o coronavírus?

Fake. O Ministério da Saúde diz que a mensagem é “falsa” e pede para que ela não seja compartilhada. “Até o momento, não há nenhum medicamento, substância, vitamina, alimento específico ou vacina que possa prevenir a infecção pelo coronavírus (Covid-19).”

A Organização Mundial da Saúde (OMS) diz que “o alho é um alimento saudável que pode ter algumas propriedades antimicrobianas”. “No entanto, não há evidências no surto atual de que comer alho tenha protegido as pessoas do novo coronavírus”, reforça.

Produtos importados da China podem conter coronavírus?

Fake. “Não há risco”, diz a infectologista Nancy Bellei, consultora para a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e professora na Unifesp. O médico Drauzio Varella também diz que o vírus só é transmitido entre humanos e não sobrevive mais de 24 horas fora do organismo humano ou de algum animal. “Você pode, sim, comprar produtos chineses à vontade.”

O Ministério da Saúde afirma que não há nenhuma evidência que produtos enviados da China para o Brasil tragam o novo coronavírus. Argumenta ainda que vírus geralmente não sobrevivem muito tempo fora do corpo de outros seres vivos, e o tempo de tráfego destes produtos costuma ser de muitos dias. O órgão esclarece que a a Anvisa tem monitorado diariamente os portos, aeroportos e fronteiras e emitido alertas sonoros de conscientização para os passageiros.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) também é enfática ao dizer em sua seção de mitos sobre o coronavírus que é totalmente seguro receber encomendas da China sem risco de contrair a doença.

Foto de dezenas de caixões enfileirados seja de vítimas do coronavírus na Itália?

Fake. A foto, na verdade, é antiga. Foi feita em 2013. E mostra caixões de imigrantes africanos que morreram em um naufrágio no país europeu. A imagem foi feita pelo fotógrafo Tullio M. Puglia, da Getty Images. Com mais de 500 imigrantes a bordo, uma embarcação pegou fogo à noite e naufragou perto da ilha siciliana de Lampedusa. Ao todo, 366 pessoas, entre elas várias mulheres e crianças, morreram afogadas. Essa foi uma das tragédias migratórias mais graves já ocorridas na Itália.

O número de mortos pela Covid-2019 apenas nesta quarta-feira (18) na Itália, porém, supera o da tragédia. Foram registradas 475 mortes, um recorde desde o surgimento da pandemia. Nem a China, onde a epidemia teve início, registrou tantos mortos num só dia.

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