Uma mulher de 29 anos deu entrada, na sexta-feira (20), na maternidade Ana Braga, localizada no bairro São José, zona Leste de Manaus, para realizar procedimentos médicos e entrou em trabalho de parto no corredor do hospital. A criança prematura, mesmo sendo socorrida, não resistiu e morreu na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). A denúncia é da própria família da paciente.

A mãe do bebê, Keilici de Oliveira Medeiros, alega que, entre exames e atendimentos médicos, teria sido abordada por um enfermeiro no corredor da unidade. O suposto profissional, identificado inicialmente como Flávio, teria impedido a mulher de retornar com a médica.

“Na noite de ontem, tomei medicações para amadurecer o pulmão e o coração do bebê.  Após sentir contrações, procurei a maternidade, fiz a triagem e aguardei o atendimento médico. Só que ao ser chamada, os médicos estavam ocupados dentro da sala e pelo meu desespero, outros pacientes bateram na porta para pedir ajuda. Ao abrir a porta, fui impedida de entrar pelo enfermeiro. Após essa confusão, senti muitas dores e tentei subir na maca, acabei entrando em trabalho de parto ali mesmo”, comentou.

Esse  profissional, segundo a mulher, a teria impedido de seguir os procedimentos, alegando que ela não estaria em trabalho de parto. Ela disse ainda que deu à luz no corredor do hospital, onde o recém-nascido teria batido a cabeça, após romper o cordão umbilical e caiu no chão.

Antônio Oliveira, tio da grávida, estava presente no momento da ocorrência e reforçou o depoimento da sobrinha. “Ela deu entrada na maternidade, por volta das 19h, sentindo dores, pois estava entrando em trabalho de parto prematuro. A bolsa estourou no corredor, enquanto ela andava e a criança bateu a cabeça no chão. Além disso, estamos revoltados com o atendimento negligente dos enfermeiros e a falta de estrutura do local. O bebedouro quebrado, banheiros sujos e sem papel higiênico”, comenta.

Familiares da gestante usaram o celular para gravar a situação comentada por Antônio. Nas imagens é possível ver um bebedouro quebrado e sem o garrafão de água. O banheiro não possuía assento sanitário com tampa, além da descarga sem tampa. “Infelizmente desde ontem, estamos na luta para liberar o corpo da maternidade. Fizemos um boletim de ocorrência e o delegado solicitou um exame de necropsia. Pois no hospital, foi feito exames, que mostrava a criança estava viva”, finaliza.

Resposta da Maternidade

Em nota, a direção da Maternidade Ana Braga informou que abriu um processo administrativo para apurar a causa da morte do recém-nascido prematuro da paciente K.O.M, na noite de sexta-feira (20). A investigação é para saber as circunstâncias em que se deu o atendimento e se houve falha da equipe médica.

Ainda conforme a nota, a criança não caiu no chão. “A parturiente, que estava com 26 a 27 semanas, deu à luz um bebê prematuro (sete meses), após passar por avaliação médica e ser encaminhada para exames. Enquanto aguardava, a paciente sentiu que ia nascer e deitou-se ao chão. O recém-nascido foi levado para a unidade de cuidados progressivos, porém não resistiu. A direção da Maternidade lamenta o ocorrido e trabalha para esclarecer os fatos”.

CAROL GIVONE – Em Tempo