Os mistérios da SEDUC
O secretário Luiz Castro (Rede) é apontado por aliados de Wilson Lima (PSC) como uma das grandes decepções desse governo. Parlamentar combativo e com grande histórico de luta contra a corrupção, sua atuação à frente da SEDUC tem sido pífia e nebulosa.

Nesses poucos meses a frente da SEDUC, Luiz Castro tem muito o que explicar, a começar pelas muitas dispensas de licitação e pelos misteriosos grupos de trabalho, que ajudam aos seus aliados a engordarem seus já gordos salários. Detalhe: tudo isso era muito criticado por Castro no período eleitoral. Mas, agora a máscara caiu!

Sentados
Toda vez que você ouvir algum funcionário público dizer que o chefe “sentou em cima do processo”, ele quer dizer que o gestor não tem interesse em resolver aquele caso. No Deppe (Departamento de Políticas e Programas Educacionais) da SEDUC, a atual diretoria tem feito muito isso, em especial quando se trata de reconhecimentos de dívidas. Porém, ao mesmo tempo em que existe a “Operação Tartaruga” para alguns processos, outros – misteriosamente – andam na velocidade da luz. É o serviço público agindo conforme os interesses privados?

Aliás, a atual gestão do Deppe da SEDUC não pensa duas vezes em parar processos que já têm pareceres favoráveis para privilegiar os pedidos dos secretários. “Foi o secretário que pediu” é a senha para dar aquele chá de cadeira nos fornecedores que esperam justamente receber pelo trabalho já feito e reconhecido. É o calote institucionalizado.

As bravatas de um prefeito
Preocupado com as pesquisas e enquetes nas redes sociais onde aparece em terceiro lugar, o prefeito de Boca do Acre, Zeca Cruz, mandou espalhar na cidade que “ele é o prefeito do governador Wilson Lima”, mesmo tendo feito campanha para Amazonino Mendes. Mas, na verdade, tudo não passa de ‘conversa mole para boi dormir’.

Segundo uma fonte, aliados do prefeito estão empenhados em mostrar que Zeca é amigo do governador. Mas, não é bem assim. Zeca confunde cortesia com amizade. Como prefeito, Zeca é considerado um dos piores que Boca do Acre já viu. No município, é comum circular áudios detonando a sua gestão. A insatisfação com o seu governo é geral e atinge até mesmo os fornecedores, que afirmam ter verdadeiras bombas contra Zeca.

O poder feminino
Na verdade, o que deixa Zeca com medo é o crescimento da ex-vereadora Luciana Melo (PSD) e do empresário Junior da Eloniza, ambos despontam na preferencia do eleitorado bocacrense.

Luciana está na capital amazonense em tratamento de saúde, mas não deixa de ser a porta-voz dos problemas do município. Conseguiu, por exemplo, em Brasília, avanços para a regularização fundiária do Assentamento Monte, localizado nos municípios de Boca do Acre e Lábrea, no Sul do Amazonas. Luta esta na qual o prefeito se omitiu.

Em sua última visita ao município, o vice-governador Carlos Almeida (PRTB) levou a tira colo justamente a ex-vereadora Luciana Melo. O prefeito teria ficado muito irritado com a situação. “Foi uma surpresa para ele”, disse a fonte.

Reprovadas
As contas do governo tampão de Amazonino Mendes foram reprovadas pela Corte do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM). É a primeira vez que um ex-governador não passa no crivo do TCE, em 36 anos.

A decisão reforça o discurso do governador Wilson Lima (PSC) de que recebeu o estado com rombo de R$ 3 bilhões.