“Avisa pra mamãe que estou na casa de um amigo. Só vou mais tarde pra casa”. Essa foi a mensagem que o engenheiro Flávio Rodrigues dos Santos, de 41 anos, enviou à família na tarde de 29 de setembro, dia em que foi morto, em Manaus. Na mensagem, acompanhada de um áudio, ele avisa aos familiares que está no condomínio Passaredo, onde acontecia uma festa na casa de Alejandro Valeiko.

“Vou ficar por aqui até um pouco mais tarde, hoje não trabalho. Vou quando estiver um pouco melhor, porque tomei umas cervejas. Vou dar uma descansada aqui. Avisa para a mamãe não ficar preocupada”.

Mais tarde, na mesma noite, Flávio ligou para irmã e avisou que dormiria no condomínio de luxo na Zona Oeste de capital, onde o filho da primeira-dama de Manaus mora. A família, acostumada com a rotina do engenheiro, foi dormir tranquila com a notícia.

“A gente não se preocupou quando ele não chegou à noite porque às vezes dormia na casa dos amigos, isso era comum”, afirma sua irmã, em entrevista.

No dia seguinte, uma segunda-feira de manhã, o corpo de Flávio foi encontrado com marcas de facada, sinais de asfixia e ferimentos que sugerem que ele foi arrastado no chão. Ele foi abandonado em um terreno baldio nas proximidades da casa do enteado do prefeito.

Flávio Rodrigues dos Santos — Foto: Arquivo pessoal
Flávio Rodrigues dos Santos — Foto: Arquivo pessoal

Segundo uma sobrinha do engenheiro, por volta de 7h30 da manhã da segunda-feira, Edvandro Júnior [um dos cinco suspeitos presos] enviou uma mensagem para ela pedindo uma “ligação urgente”. Na ligação ele teria dito que estava num posto de combustíveis e viu quando Flávio havia sido levado da frente do condomínio por homens encapuzados.

Edvandro estava com o telefone de Flávio naquele momento e disse que foi orientado, na delegacia, a devolver o aparelho para a família. Por isso, fazia aquele contato, mesmo sem conhecer nenhum parente do engenheiro.

Logo depois dessa ligação a família deu início às buscas por Flávio. Em Manaus, as redes sociais foram tomadas por fotos do engenheiro, acompanhadas da mensagem de que ele estaria desaparecido desde a festa. Horas depois, a família recebe a notícia: o corpo de Flávio foi encontrado a cerca de oito quilômetros do condomínio.

De acordo com o laudo do Instituto Médico Legal (IML), o engenheiro levou seis golpes de arma branca. Dois golpes atingiram Flávio no lado esquerdo do abdômen. Dois foram na coxa esquerda e outros dois nas costas. O relatório de investigação aponta que a hora do crime foi 22h30 de domingo. Quase uma hora depois da ligação para a irmã.

Dos cinco suspeitos presos, apenas o lutador de MMA Mayc Parede confessou sua participação no crime. Ele alega ser o culpado pelas facadas. Ele aparece em vídeos de segurança dando entrada no condomínio naquela noite de domingo.

(G1 AM)