Foto: Ueslei Marcelino

Um confronto entre detentos deixou 15 mortos neste domingo no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), localizado na BR-174, em Manaus, durante o período de visitação de familiares. O presídio é o mesmo onde 56 detentos foram mortos em janeiro 2017, após uma rebelião, em meio a uma disputa entre facções.

De acordo com o coronel Marcus Vinícius, secretário de Administração Penitenciária do Amazonas, as mortes ocorreram por asfixia e por perfurações com escovas de dente raspadas. Todas as vítimas são detentos do regime fechado, e não houve registro de fugas e da presença de armas de fogo no presídio. Segundo o secretário, o confronto começou por volta de 11h e a situação foi controlada pela Polícia Militar em 40 minutos. As visitas aos detentos estão suspensas.

Abrimos uma investigação. Nós temos sistema de câmeras internas, então iremos identificar todos os que participaram das mortes e encaminhar à Justiça para que tome as devidas providências. Da parte administrativa, nós iremos tomar medidas de segurança, inclusive vamos tomar medidas no que tange a suspensão por algum momento das visitas e outras medidas de segurança“— disse o coronel Marcus Vinícius, em uma coletiva em Manaus no início da noite deste domingo — Não foi rebelião. É uma briga entre internos — minimizou.

Para o secretário de Administração Penitenciária do estado, chama atenção o fato de as mortes terem ocorrido no período de visitação de familiares dos detentos, o que é proibido pelas “regras do crime”.

“Um detalhe interessante. Nunca havia tido, quando tem visita, é uma regra do crime nunca matar durante a visita de familiares. Não existe isso. Foi a primeira vez que aconteceu no Amazonas. Alguns morreram dentro da cela, com a cela trancada” — afirmou o coronel Marcus Vinícius.

O secretário afirmou ainda que a motivação para o confronto ainda é investigada. Perguntando se havia atuação de facções criminosas no conflito, o coronel disse que “o estado não reconhece facções”.

“Em qualquer prisão do mundo, quando se quer matar, vai se matar. Alguns foram enforcados, outros com (morreram com) mata-leão. Isso o estado não tem como evitar” — declarou o secretário de Administração Penitenciária.

Lista de detentos mortos:

Ancelmo Pereira dos Santos, 39
Antonio Xavier da Silva Camargo filho, 42
Cleison Silva do Nascimento, 25
Edney Sandro Sabóia de Vasconcelos, 36
Elisson de Oliveira Pena, 26
Erick Weslley Martins Mendes, 25
Fernando dos Santos Ferreira, 27
Francisco de Assis Marcelo da Silva, 34
Hiel Lucas Miranda da Silva, 29
Igor Peres de Oliveira, 21
Leonardo Queiroz Campelo, 31
Naelson Picanço de Oliveira, 32
Nayan Serrão Pereira, 31
Pedro Paulo Melo Xavier, 25
Rodrigo Oliveira Pimentel, 29

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