Diagnóstico laboratorial de casos suspeitos do novo coronavírus (2019-nCoV), realizado pelo Laboratório de Vírus Respiratório e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), que atua como Centro de Referência Nacional em Vírus Respiratórios para o Ministério da Saúde

As evidências mostram que os casos de infectados por este novo coronavírus dobram a cada 6 dias, se as providências tomadas são insuficientes. Isto é, se hoje há um caso, em 6 dias haverá 2, em 12 dias haverá 4, em 18 dias haverá 8 casos. A projeção, com base em metodologia matemática, é do professor de álgebra Wilhelm Alexander Cardoso Steinmetz, da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), doutor em matemática.

“Ora, sexta-feira, dia 13/03/2020 foi confirmado o primeiro caso em Manaus. Porém, existem estimativas que haja para cada caso confirmado, aproximadamente 9 casos que permanecem ocultos. Isto é, sexta-feira, dia 13, provavelmente já havia dez casos em Manaus. Se as medidas destinadas ao controle forem insuficientes, os casos podem dobrar a cada seis dias. Podemos calcular que em 66 dias teremos então 20.480 casos e em 72 dias, 40.960 casos”, diz o professor, em artigo publicado no site da Ufam.

Considerando o que acontece entre o dia 66 e o dia 72, nestes 6 dias haverá 20.480 novos casos! Destes casos, 2% (410 casos) precisarão de hospitalização em leito de UTI. Em Manaus há 271 leitos de UTI disponíveis. “Portanto, não haverá leitos suficientes para os pacientes que chegarão neste intervalo de 6 dias (claro que a situação é ainda pior, pois alguns leitos já estarão ocupados por outros pacientes da Covid-19 que ingressaram nessas dependências ao longo das semanas anteriores e as estadias em UTI tendem a ser longas)”, diz Wilhelm Steinmetz.

Segundo o professor, fazendo uma analogia, “não haverá paraquedas suficientes para todos os passageiros em um avião que está caindo”. “Os médicos terão que decidir quem ocupará os leitos de UTI disponíveis, isto é, eles terão que decidir quem viverá e quem morrerá. Isso é uma perspectiva assustadora”, diz.

O que acontecerá depois do dia 72? “Podemos precisar de muito mais leitos de UTI ainda (mais que 1.000 leitos)”, responde. “Em uma cidade com mais do que 2 milhões de habitantes, onde provavelmente quase todos estarão suscetíveis a esta infecção, o número de infectados poderá crescer ainda bastante, antes de começar a diminuir”.

Wilhelm Steinmetz  diz que existem variáveis locais (em Manaus) que poderiam interferir nessa dinâmica, por exemplo, a temperatura média de Manaus é maior que a da Itália. Mas não temos evidências claras quanto isso realmente dificulta a propagação. “Além disso, existem outras diferenças: a população do Amazonas é mais jovem que a da Itália. Mas isso não garante a suficiência da capacidade de leitos existentes em UTIs em Manaus”, disse.

“Para diminuir as chances de um desfecho tão assustador, sugere-se que medidas urgentes sejam tomadas por toda a população”, aconselha.