Coveiros carregando caixões de morto em razão da Covid-19 sem nenhum tipo de proteção. Um, de camiseta regata, chega a deitar sobre um túmulo de terra para descansar. Três caixões dispostos lado a lado, com famílias dos mortos aglomeradas em torno deles. Uma escavadeira abrindo valas em série. Ao menos o dobro de enterros por dia.

Essa foi a rotina no cemitério municipal Nossa Senhora Aparecida, o maior de Manaus, nesta quarta-feira (15). A cidade é o epicentro da epidemia do novo coronavírus no Amazonas, estado com maior taxa de incidência. São 303 casos a cada 1 milhão de habitantes, quase duas vezes a média nacional de 111/1 milhão.

“É uma esculhambação”, desabafa o agente funerário de uma empresa privada. Vestido de bota, macacão com capuz, luva e óculos, ele parecia uma alienígena ao carregar o caixão de uma vítima da Covid-19 ao lado de quatro coveiros do cemitério com pouca ou nenhuma proteção.

Alguns coveiros usavam máscara e luva, outros, apenas um dos itens. Um circulava sem camisa. Outro, encarregado de cavar, estava sem nenhuma proteção e usava uma camiseta regata estampada com a palavra Danger (perigo) e uma caveira. No intervalo entre enterros, ele chegou a deitar sobre uma cova de terra para descansar por alguns minutos.

Em apenas um dos enterros por Covid-19, os coveiros usavam trajes de proteção que cobriam todo o corpo.

Leia a reportagem completa aqui

Reportagem: Fabiano Maisonnave / Folha