Foto: Diego Peres/Secom

Dois deputados protocolaram nesta terça-feira (14) na Assembleia Legislativa pedido de impeachment do governador do Amazonas, Wilson Lima, e seu vice, Carlos Almeida Filho, pela prática de crimes de responsabilidade e improbidade administrativa. O Governo do Estado ainda não se posicionou.

O pedido de impeachment é assinado por Wilker Barreto (Podemos) e Dermilson Chagas (PP). Os parlamentares afirmam que a denúncia se baseia na “grave crise da saúde pública no Estado” e na “omissão do Governo em propor soluções para as problemáticas como a falta de medicamentos e insumos nas unidades hospitalares, ausência de equipamentos para exames e atraso de quase seis meses de salários para os profissionais terceirizados da saúde”.

De acordo com a assessoria de comunicação da Assembleia, o pedido segue para apreciação da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) da Aleam e, se aprovado, será encaminhado para votação no Plenário.

Problemas

No fim de semana, pacientes e enfermeiros denunciaram a superlotação na maternidade Balbina Mestrinho, localizada na Zona Sul de Manaus. Todos citam superlotação, falta de leitos, medicamentos é a reclamação geral, além do quadro reduzido de funcionários.

No Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio, por exemplo, a superlotação transformou corredores em salas de atendimento médico. As famílias que precisam, compram os próprios remédios.

Na maternidade Ana Braga, também da rede estadual, são as mães que cuidam dos bebês recém-nascidos ou prematuros nas incubadoras. Elas dão medicação e alimentação por sonda, porque não há enfermeiros.

Na maternidade Balbina Mestrinho mães e bebês ficam abrigados pelos corredores, com apenas cadeiras. Os recém-nascidos, em incubadoras, são monitorados pelos pais.

Os servidores terceirizados da saúde estão sem receber desde agosto e alegam que não vão trabalhar porque não têm dinheiro da passagem de ônibus. O governo diz que vai pagar o 13º este mês, e que o salário de dezembro será pago no mês que vem. Depois, começarão a pagar os outros atrasos.

O secretário de estado da saúde, Rodrigo Tobias, não soube informar o valor da dívida atual, mas alega que herdou de gestões anteriores. “O Governo do Estado iniciou o ano com orçamento de R$ 2,4 milhões, o que que equivale a 30% a menos do necessário para poder executar todas as funções para ofertar os serviços de saúde. Nós já efetuamos este ano pagamentos de dívidas de exercícios anteriores, o equivalente a R$ 150 milhões, o que é considerado significativo se comparado a anos anteriores”, comentou.

Fila por cirurgias

Mais de 200 crianças cardiopatas esperam na fila para passar por cirurgia no Hospital Francisca Mendes, em Manaus.

Nesta segunda-feira (16), duas cirurgias pré-marcadas foram canceladas por falta de equipamento. Em uma delas, um bebê chegou a ser completamente anestesiado e levado ao centro cirúrgico. Lá, médicos encontraram o aparelho de anestesia quebrado. A máquina tem a função básica de administrar gases durante a anestesia inalatória, além de monitorar as condições das funções fisiológicas do paciente.

O bebê, ainda anestesiado, foi levado de volta ao leito e a cirurgia cancelada. Pela mesma razão – a falta do aparelho – uma segunda operação, também em um recém-nascido, foi cancelada.

Equipes médicas, que há meses endossam o discurso de crise dentro da unidade hospitalar, afirmam que, apesar de promessas de melhorias, o governo ainda não cumpriu com demandas básicas para funcionamento regular das cirurgias. Além de infraestrutura, faltam remédios e os funcionários estão com salário atrasado.

No começo do mês, pequena Talita Valentina morreu enquanto aguardava por uma cirurgia no coração. Neste ano, outras 28 crianças com doenças no coração também morreram na espera de um procedimento cirúrgico no estado do Amazonas, segundo a Associação dos Cardiopatas.

Talita lutava para sobreviver e, no dia 8 de novembro, a família conseguiu na Justiça o direito a uma cirurgia cardíaca. O estado deveria operar a menina sob pena de multa diária de R$ 5 mil. Caso não tivesse condições de realizar o procedimento, deveria encaminhar a criança um hospital particular. No entanto, Valentina morreu nove dias depois.

Ao G1, a Secretaria de Estado de Saúde (Susam) informou, à época, que “ma ocasião da notificação judicial, a capacidade instalada do Hospital Francisca Mendes estava no máximo de sua ocupação com crianças igualmente graves, tanto no pré quanto no pós-operatório. Diante da situação, a secretaria buscou a contratação de vaga na rede privada, porém a criança veio a óbito antes de concluído o processo”.