Detentos pertencentes à facção criminosa Família do Norte, que estão presos no regime fechado do Complexo Penitenciário Anísio Jobim – situado no km 8 da BR-174, em Manaus -, decretaram três dias de luto na unidade prisional, após a morte de 17 pessoas no bairro Crespo, Zona Sul da capital.

Segundo informações que A CRÍTICA teve acesso de dentro do presídio, junto a servidores da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), o luto foi decretado entre os próprios membros da organização. Durante o banho de sol desta quinta-feira (31), os detentos se abstiveram de realizar atividades na quadra e usaram o espaço para fazer orações coletivas.

Os 17 homens foram mortos durante ação de policiais militares na noite de terça (29) e madrugada de quarta-feira (30), em um beco que dá acesso a diversos bairros da Zona Sul. A polícia conta que as mortes ocorreram em decorrência de um confronto e que o grupo, que seria pertencente à FDN, estava no local para uma ação organizada para matar rivais do Comando Vermelho.

Nesta quinta-feira (31), três suspeitos de terem participado do confronto policial foram presos no bairro São José, na Zona Leste da cidade. A ação da FDN contra o CV teria sido organizada pelo traficante Bruno Santos Lira, conhecido como “Bruno Surfistinho”, conforme apuração prévia da equipe de Inteligência.

Antes aliadas no controle do tráfico de drogas no Amazonas, a FDN e o Comando Vermelho romperam ligações após um conflito interno entre os chefes das organizações. A rivalidade é responsável por crimes brutais ocorridos em Manaus neste ano, como o massacre de 55 presos do sistema prisional amazonense, em maio, e recentes homicídios na comunidade Monte Horebe, na Zona Norte.