A médica Uildeia Galvão da Silva (de luva), que atua no Pronto Socorro 28 de Agosto Foto: Reprodução

“Essa doença é muito maluca. O comportamento desse vírus é muito maluco. Em questão de 30, 40 minutos esse paciente evolui para uma insuficiência respiratória aguda muito rápida. São dois, três pacientes complicando ao mesmo tempo. Você não consegue parar, não consegue passar o boletim pra família. Você vê uma pessoa pegar na sua mão [e dizer] ‘doutora, me ajude’ e em 15 minutos esse paciente estar entubado”, relata a médica Uildeia Galvão da Silva, de 51 anos, ao site da Revista Época, após o fim de uma jornada de doze horas no Pronto Socorro 28 de Agosto, o maior de Manaus, capital do Amazonas.

O estado concentrava até ontem (9) 899 casos do novo coronavírus – o maior índice proporcional do país, de 19,1 por 100 mil habitantes, o que já vem provocando um colapso no sistema de saúde local. “Tudo dói na gente. A máscara dói, o gorro dói, os óculos doem, mas ver o que a gente vê dói na alma. São situações que, na proporção e na velocidade que está acontecendo, doem na alma. Dói demais”, diz.

Para atender à demanda, segundo Silva, o hospital está desocupando 40 leitos de UTI e criando novos 10 leitos, todos para pacientes com a Covid-19. A enfermaria também será ampliada em 36 leitos, além da Sala Rosa – onde trabalha – que conta com leitos para 30 pacientes infectados pela doença.

Mesmo o aumento do número de leitos não é suficiente para atender a todos os pacientes, conforme necessário, dado o número restrito de profissionais. O 28 de agosto, ela diz, conta com uma equipe de seis médicos – além dos seis médicos que visitam os leitos pela manhã – e dividem-se entre o crescente número de pacientes com sintomas respiratórios e sugestivos de Covid-19 e casos de infarto, diabetes e hipertensão. “A gente teve que pegar a mesma equipe pra atender duas situações”, explica.

Silva conta estar trabalhando sem parar há 15 dias, com tempo contado para ir ao banheiro e tomar água. No dia em que falou com ÉPOCA, na quarta-feira, 8 de abril, não havia almoçado: “Nunca nem imaginei passar uma situação nem de longe parecida com o que eu estou vivendo hoje.”

(Danilo Thomaz – Época)

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