Virou assunto nas redes sociais desde ontem a recuperação judicial da Central Gospel, empresa de venda de livros, CDs e DVDs do pastor Silas Malafaia. O tema foi abordado pelo youtuber Felipe Neto ontem em seu perfil no Twitter, enquanto ele explicava o processo que Malafaia move contra ele desde 2017. Na época, o pastor propôs a seus seguidores um  boicote à Disney por exibir um beijo gay em um desenho, e Neto o atacou nas redes. 

“O processo segue correndo. Ele busca minha condenação com sentença de prisão, simplesmente por eu ter feito meu papel de ser humano e defendido outros seres humanos. (…)  Contei tudo isso porque acabei de saber que Silas Malafaia entrou com pedido de recuperação judicial em sua empresa, após declarar que não consegue vender nem 25% do que vendia em outros tempos. A justiça humana pode falhar, amigos. Mas a justiça do caráter, essa muitas vezes resolve”, escreveu Neto ontem.

Malafaia explica que a decisão pela recuperação judicial deu-se por dois motivos: 1) O Bradesco rejeitou um pedido de empréstimo de R$ 12 milhões no primeiro semestre desse ano para que o pastor pudesse alongar dívidas com o próprio banco. 2) A Central Gospel hoje vende apenas 30% do que comercializava há cinco anos — o que fez o pastor cortar em mais da metade o pessoal que trabalhava na empresa. 

“Sou mais um atingido pela crise causada pelo PT, que gerou esses 14 milhões de desempregados que temos hoje no Brasil. Recuperação judicial nada mais é do que um instrumento legal para as empresas pagarem as suas dívidas. Esse caso mostra também, mais uma vez, como era falsa a matéria feita pela Forbes dizendo que eu tinha US$ 150 milhões estimado em patrimônio. Se isso fosse verdade, jamais precisaria pedir recuperação judicial”, diz Malafaia.

A companhia lista dívidas trabalhistas de R$ 1,5 milhão, R$ 2 milhões com credores em pessoa jurídica e R$ 12,1 milhões com outros tipos de credores. Isso totaliza R$ 15,6 milhões em débitos com mais de 200 pessoas ou empresas.

A Gospel anexou mais de 1.700 páginas de documentos ao processo para explicar sua situação. Num deles, culpa as suscetíveis desacelerações econômicas no país e a mudança no comportamento do consumidor, que migrou para mídias sociais e serviços de streaming.

“Assim como dezenas de outras sociedades que atuam no segmento editorial, sofreu e sofre forte abalo com o advento da tecnologia”, diz a petição apresentada à Justiça.

A crise econômica lascou tudo de vez e fez a empresa “adotar medidas que são costumeiras no meio empresarial, dentre as quais, buscar captar recursos através de empréstimos com instituições financeiras”.