Um grupo de funcionários dos Correios se reuniu em uma manifestação, na manhã desta terça-feira (18), na frente de uma agência no Centro de Manaus. A categoria atuante no Amazonas também aderiu a greve deflagrada na noite dessa segunda-feira (17) em todo o País.

Conforme a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas dos Correios e Similares (FENTECT), os grevistas são contra a privatização da estatal, reclamam do que chamam de “negligência com a saúde dos trabalhadores” na pandemia e pedem que direitos trabalhistas sejam garantidos.

De acordo com a vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios no Amazonas, Jane Neves, os funcionários tinham um Acordo Coletivo julgado pelo Tribunal Superior do Trabalho, em 2019, com vigência até 2021. Os Correios haviam recorrido ao Supremo Tribunal Federal para que o Acordo fosse de apenas um ano, e a liminar foi concedida.

“Em plena pandemia, a empresa chamou a gente e forçou a fazer uma campanha salarial para negociação. Os Correios são um serviço essencial, trabalhamos na pandemia, muitos adoeceram. Esse era um momento da empresa resguardar os funcionários e nossos direitos foram retirados”, disse.

Trabalhadores dos Correios se reuniram em frente a agência no Centro de Manaus. — Foto: Patrick Marques/G1 AM
Trabalhadores dos Correios se reuniram em frente a agência no Centro de Manaus. — Foto: Patrick Marques/G1 AM

Segundo a vice-presidente do Sindicato, o Acordo Coletivo tinha 79 cláusulas com direitos para os trabalhadores. Jane contou que 70 das cláusulas foram retiradas após a liminar.

“Nosso ticket alimentação foi reduzido, os benefícios de necessidades especiais foram cortados, licença maternidade reduzida, 70% de hora extra retirado. O presidente dos Correios ainda diz que somos privilegiados, mas isso não é privilégio”, afirmou Jane.

Ainda de acordo com ela, o Governo Federal tem o intuito de privatizar os Correios, o que também é motivo da manifestação dos trabalhadores. “A necessidade dos Correios se manter público garante quase 100 mil trabalhadores empregados e um serviço essencial para a população nos interiores, onde as empresas não chegam. A nossa logística é a única que consegue chegar aos locais”, informou.

Conforme o diretor do sindicato, Maxwell Monteiro, parte dos funcionários dos Correios no Amazonas paralisaram os serviços durante a greve iniciada nesta segunda. Com isso, o serviço dos trabalhadores dos Correios foram paralisados parcialmente no estado. Não há prazo para o fim da paralisação na estatal.

Os Correios divulgaram nota sobre greve. Leia na íntegra:

Os Correios não pretendem suprimir direitos dos empregados. A empresa propõe ajustes dos benefícios concedidos ao que está previsto na CLT e em outras legislações, resguardando os vencimentos dos empregados.

Sobre as deliberações das representações sindicais, os Correios ressaltam que a possuem um Plano de Continuidade de Negócios, para seguir atendendo à população em qualquer situação adversa.

No momento em que pessoas e empresas mais contam com seus serviços, a estatal tem conseguido responder à demanda, conciliando a segurança dos seus empregados com a manutenção das suas atividades comerciais, movimentando a economia nacional.

Desde o início das negociações com as entidades sindicais, os Correios tiveram um objetivo primordial: cuidar da sustentabilidade financeira da empresa, a fim de retomar seu poder de investimento e sua estabilidade, para se proteger da crise financeira ocasionada pela pandemia.

A diminuição de despesas prevista com as medidas de contenção em pauta é da ordem de R$ 600 milhões anuais. As reivindicações da Fentect, por sua vez, custariam aos cofres dos Correios quase R$ 1 bilhão no mesmo período – dez vezes o lucro obtido em 2019. Trata-se de uma proposta impossível de ser atendida.

Respaldados por orientação da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (SEST), bem como por diretrizes do Ministério da Economia, os Correios se veem obrigados a zelar pelo reequilíbrio do caixa financeiro da empresa. Em parte, isso significa repensar a concessão de benefícios que extrapolem a prática de mercado e a legislação vigente. Assim, a estatal persegue dois grandes objetivos: a sustentabilidade da empresa e a manutenção dos empregos de todos.