FOTO: ROBERVALDO ROCHA / CMM

Mesmo com a liberação de R$ 736 milhões para o pagamento de dívidas de antigos governos e o aluguel de R$ 2,6 milhões por um Hospital de Campanha, o governo do Estado deixará de quitar um débito de R$ 5 milhões com o Hospital Beneficente Portuguesa.

A atual gestão do governo deixou de quitar R$ 5 milhões de débitos com o Hospital Beneficente Portuguesa (HBP). Os atrasos dos pagamentos são referentes, principalmente, aos meses dos anos de 2019 e 2020 gestão de Wilson Lima, e também em meses de 2017 e 2018.

Os atrasos ocorrem no momento em que o Estado registrou 69 novos casos, nesta segunda-feira (13), de pessoas infectadas pelo novo coronavírus e mais nove mortes, segundo a Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM).

No total são 1,275 pessoas infectadas no Estado e 71 óbitos. Deste total, 1.106 são em Manaus e 169 no interior do Amazonas. Dezesseis municípios têm casos confirmados e 147 pessoas estão fora do período de transmissão.

Nesse sentido, por mais que o Hospital Beneficente Portuquesa seja filantrópico, sem fins lucrativos, e não seja pública, o hospital atende o Sistema Único de Saúde (SUS) há muitos anos. De acordo com o diretor-presidente do HBP, Vitor Vilhena Gonçalo Da Silva, desde 2017 o Estado não vem honrando com os seus compromissos. “O governo possui um débito conosco. Alguma coisa de 2017 e 2018, mas a maior parte deste atraso no repasse dos pagamentos é de 2019 e 2020. O montante já está na casa dos R$ 5 milhões e alguns mil. Nós estamos na mesma situação de outras clínicas: não estamos recebendo”, disse.

Atendimento ameaçado

Vilhena também explicou que o débito já está comprometendo o atendimento do hospital para com os pacientes vindos do SUS. “Nós estamos operando com dificuldades, por que nós investimentos em recursos. Atendemos pacientes do SUS vindos do HPS 28 de Agosto e de outros hospitais e isso gera custos para nós. Geram despesas com médicos, material, medicamentos e não vemos recebendo. Infelizmente”, lamentou.

Atualmente, o Hospital Beneficente Portuguesa (HBP) oferece apenas os serviços de imagem e os chamados ‘leitos clínicos’, onde os pacientes do Sistema Único de Saúde aguardam uma vaga nos hospitais e pronto-socorros do Estado.

Ainda segundo o diretor-presidente do HBP, Vitor Vilhena, a unidade hospitalar filantrópica já ofereceu outros serviços para a Secretaria de Estado de Saúde (Susam), mas as negociações estão paradas. “Nós já oferecemos para a Secretaria de Saúde os serviços de hemodiálise, que foi montado justamente para atender 180 por mês e prestar um serviço de qualidade para o SUS, cirurgia cardíaca, serviços de hemodinâmica, ambulatório e ampliação dos serviços que já atendemos”, explicou.

“Na minha gestão, já são três anos negociando com o poder público para ampliarmos nossos serviços. Ano passado, inclusive, nós renovamos o interesse em ofertar esta gama de serviços. Neste período, não conseguimos ampliar o atendimento e nem oferecer serviços novos para estas pessoas que precisam”, completou Vilhena.

Sem respostas

A reportagem ainda questionou a Secretaria de Estado de Saúde (Susam) sobre a situação, mas até o fechamento desta edição, não recebeu resposta alguma.

Território nacional

As secretarias estaduais de Saúde divulgaram, até as 22h40 desta segunda-feira (13), 23.753 casos confirmados do novo coronavírus no Brasil, com 1.355 mortes pela Covid-19.

São Paulo e Rio de Janeiro continuam com o maior número de casos e mortes.

Governo federal envia reforço para combater coronavírus

O Amazonas registrou, no dia 13 de março, o primeiro caso confirmado de uma pessoa infectada pelo novo coronavírus. Após um mês, já são 1.275 casos confirmados, 71 mortes e o sistema de saúde não suporta mais atender os doentes.

O Estado lidera o ranking nacional de casos e de mortes para cada grupo de 100 mil habitantes, e é o quarto Estado com maior número de infectados e o quinto em número de mortes.

O Ministério da Saúde anunciou, em entrevista coletiva no sábado (11), várias medidas para tentar conter a crise na saúde do Estado. Para o hospital referência em Manaus no tratamento de casos da doença, o Delphina Aziz, o governo federal vai enviar R$ 15 milhões para aumentar a capacidade do complexo hospitalar. Um total de 350 novos leitos vão ser instalados e equipados no local.

(Diário do Amazonas)