Um dia antes de o Tribunal de Justiça do Amazonas (Tjam) julgar a medida cautelar que suspendeu, em decisão monocrática, a tramitação do pedido de impeachment contra o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC) e o vice, Carlos Almeida (PTB), na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), o chefe do Executivo estadual classificou, nesta segunda-feira (25), como “uma atitude covarde com o povo do Amazonas”, a aceitação do pedido por parte do presidente do Poder, deputado Josué Neto (PRTB).

“A decisão do presidente da Assembleia [Josué Neto] de aceitar o impeachment é solitária, além de inoportuna, ilegal e inadequada. É uma atitude covarde com o povo do Amazonas. Isso drena a energia do Estado e da Assembleia e ainda passa a impressão ruim para a população. Pois, enquanto todo mundo está preocupado com a Covid-19, [no Parlamento] estão discutindo questões políticas”, disse Wilson, em entrevista ao radialista Ronaldo Tiradentes.

Prioridade é superar pandemia

“Não tenho o menor problemas de tratar de questões políticas. Tenho uma boa relação com a Assembleia Legislativa. Mas primeiro precisamos superar o problema da pandemia. Primeiro, temos que entender como vamos ampliar a estrutura para atender aos pacientes que nos preocupam. E nesse momento, as atenções estão voltadas para o interior do estado”, disse o governador.

Palanque sobre cadáveres

Foi a segunda forte crítica que Wilson disparou contra a aceitação do impedimento na Aleam. No dia 12 de maio, quando a curva de contaminação de óbitos causados pelo novo coronavírus ainda está muita acentuada, o governo reagiu dizendo que “estão fazendo palanque sobre cadáveres”, se referindo indiretamente ao deputado Josué Neto. “A história vai mostrar isso. Há uma história política, contaminada pela eleição deste ano. Na medida que alguém fala de outra coisa, que não seja o combate à Covid-19, atrapalha. Nada é mais importante, nesse momento, que salvar as vidas das pessoas”, disse.