Imagens registradas por uma moradora do bairro do Grajaú, zona norte do Rio de Janeiro, mostram o momento em que uma médica sofre agressões por parte de frequentadores de uma festa clandestina.

A médica Ticyana Azambuja foi espancada, levou socos e teve os cabelos puxados por uma mulher.

Ticyana contou que as festas na casa vizinha são recorrentes e que ela já não aguentava mais não poder descansar na própria casa. Anestesista e intensivista, ela trabalha diretamente na linha de frente do tratamento da Covid-19 em hospitais da rede pública e privada do Rio e Niterói.

“Fazia dias que eu já não podia nem dormir mais no meu quarto, tinha que dormir na sala, estava com um colchonete. Eu tinha um plantão no sábado à noite. No dia anterior eu já tinha feito um plantão de 24 horas”, contou a médica.

Segundo ela, o som da festa é tão alto que chega a fazer vibrar os vidros do seu apartamento. Ela afirma que já se cansou de acionar a polícia por conta das festas promovidas na casa em meio à pandemia do coronavírus.

“Eu já liguei inúmeras vezes para a polícia, os meus vizinhos ligaram inúmeras vezes para a polícia. A gente tentou por todas as vias legais. A gente ligou para os Bombeiros. E aí eu não aguentei mais e tentei dar um basta naquela situação. Interfonei, tentei conversar com os rapazes e, obviamente, eles não iriam parar a festa por causa daquilo. Estavam até com música ao vivo”, disse.

“Num ato inconsequente, irracional e impensado eu quebrei o vidro de um carro que estava parado na calçada. Assim, eu pensei que pelo menos eles iriam sair e a gente poderia tentar conversar. Só que não pensei que cinco marmanjos iriam vir para tentar me matar, e foi o que aconteceu”, contou.

A profissional de saúde teve o joelho esquerdo fraturado e sofreu lesões nas duas mãos, pisoteadas por frequentadores da festa.

O evento com aglomeração, segundo os moradores da região, é realizado com frequência, mesmo diante do fato de o Rio de Janeiro ser 1 dos Estados mais atingidos pela pandemia. Até a última atualização, mais de 5.400 mortes e 54.530 casos confirmados.

Nas imagens a seguir, que circulam nas redes sociais, Ticyana aparece sendo carregada por 1 dos agressores durante o ato:

© reprodução/Twitter

A médica foi às redes sociais comentar a agressão. “Quebrei o retrovisor e trinquei o para-brisas de 1 dos carros parados irregularmente na calçada. Depois, 5 marmanjos saíram e me agarraram em frente ao Hospital Italiano. Me enforcaram até desmaiar. Me jogaram no chão e me chutaram”, relatou.

A mulher disse que quando acordou depois das agressões pediu ajuda para os bombeiros da rua Marechal Jofre, mas que eles não prestaram socorro. “Riram de mim e disseram que meu lugar era apanhando no chão.”

Ticyana Azambuja foi levada por vizinhos para o hospital Rios D’or, em Jacarepaguá, zona oeste.

Ticyana Azambuja publicou foto em seu facebook manifestando indignação
© reprodução/Facebook Ticyana Azambuja publicou foto em seu facebook manifestando indignação