O jornalista Vandré Fonseca durante cobertura no rio Negro em 2018 (Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real)
O jornalista Vandré Fonseca durante cobertura no rio Negro em 2018 (Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real)

Reportagem publicada pela Agência Amazônia Real, onde atuava o jornalista.

Manaus (AM) – O jornalista paulista Vandré Fonseca, 46 anos, morreu de parada cardíaca às 12h40 deste domingo (17 de fevereiro), na UTI do Prontocord Hospital do Coração, em Manaus. Repórter da agência Amazônia Real, ele estava internado desde o dia 30 de janeiro após sofrer um infarto agudo do miocárdio. Ele passou por uma cirurgia mas não resistiu a um Acidente Vascular Cerebral (AVC). 

O velório está sendo realizado desde às 20h deste domingo até às 12h desta segunda-feira (18) na Funerária Canaã, na rua Major Gabriel., no. 1.833, na zona centro-sul da cidade.

Depois do velório, os restos mortais do jornalista serão trasladados para a cidade de Itaí, a 350 quilômetros de Guarulhos, em São Paulo. O sepultamento será realizado no Cemitério Municipal de Itaí na terça-feira (19), onde estão sepultados o tio Adalberto Macedo Costa e a avó do jornalista, Teresinha Macedo Costa, mortos em acidente de trânsito em 2015. É na cidade que moram os parentes de Vandré, entre eles, seu avô de 93 anos.

O jornalista Vandré Fonseca passou por uma cirurgia cardíaca no dia 12 de fevereiro sob o comando do médico Luiz Alberto Saraiva. Durante o procedimento, foi detectada uma calcificação na aorta e em várias artérias do coração. Ele recebeu uma ponte de safena e uma mamária, mas sofreu um AVC (Acidente Vascular Cerebral) no pós-operatório.

Formado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero de São Paulo (em 1996), Vandré Fonseca era residente na Amazônia há 23 anos. Primeiro ele morou em Boa Vista (RR) de 1997 a 2004, e daí mudou-se para Manaus. Ele se especializou no jornalismo científico, em saúde e meio ambiente e teve larga produção na televisão, jornais e sites de notícias relacionados à política, à biodiversidade e à conservação da Amazônia. Filho da professora aposentada Teresinha Fonseca, o jornalista era casado com a médica veterinária Rob Mesquita. O casal não tinha filhos.

Vandré Fonseca começou a carreira trabalhando nos jornais Brasil Norte (1997), Diário da Amazônia (97-98), e na Rede Amazônica de Televisão (afiliada da Rede Globo) trabalhou por 19 anos: em Boa Vista (1998-2004) e Manaus (2004-2017). Foi colaborador dos sites ((o) Eco por 14 anos (desde 2005) e, recentemente, do Valor Econômico e Intercept –  para onde fez a cobertura das eleições de 2018. Entre as premiações, ganhou o 1º Prêmio Boa Vista de Jornalismo Comunitário, Prefeitura de Boa Vista, em 2001, e o IV Prêmio Nilton Lins de Jornalismo, em 2008.

Em junho de 2017, Vandré Fonseca passou a integrar a rede de jornalistas independentes da agência Amazônia Real, produzindo reportagens especiais e vídeos, tendo um trabalho relevante na cobertura do desmatamento da floresta, da imigração venezuelana e violações de direitos de populações tradicionais. Fez uma sequência de reportagens sensíveis e investigativas sobre a morte de crianças vítimas da raiva humana na Reserva Extrativista do Rio Unini, no Amazonas, tema que ele nunca deixou de acompanhar até antes de adoecer.

A jornalista Kátia Brasil, cofundadora da Amazônia Real, disse que Vandré Fonseca era uma pessoa cheia de planos profissionais.

“Ele estava empreendendo no jornalismo e tocando o seu projeto pessoal de lançar o primeiro site de checagem de fatos para combater notícias falsas na Amazônia. E também estava envolvido com produção de jornalismo de dados. Ele estudava muito as novas tecnologias da mídia. Então, pensar que o Vandré não está entre nós, é algo irreal. A Amazônia perdeu um jornalista comprometido com a verdade, honesto e que tinha muita paixão pela profissão”, disse a jornalista Kátia Brasil.

Elaíze Farias, cofundadora da Amazônia Real, lembrou que a Amazônia Real acompanhou o processo de internação de Vandré Fonseca, dando apoio e suporte para a família.

“Estive com o Vandré durante sua internação. Ele estava emotivo, mas muito otimista. Mesmo deitado em uma cama de hospital, continuava com seu jeito bem-humorado, lendo seus livros prediletos. O Vandré Fonseca era um grande repórter, muito ético e qualificado, que pesquisava sobre os temas que iria produzir. Ele se conectava com as pessoas que entrevistava, especialmente os grupos que raramente aparecem na grande imprensa, como foi o caso da família da Resex Unini impactada pela raiva humana. Não as tratava apenas como personagens das matérias. Era também uma pessoa muito agradável,  que gostava de contar histórias divertidas para os amigos”.

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