Após seis anos longe das fabricações de smartphones, a marca Nokia anunciou seu retorno ao mercado de eletrônicos e afirmou que não irá demorar muito até que os brasileiros possam adquirir os novos celulares da marca que liderava o mercado de telefones móveis nos anos 90.

Em um evento transmitido via internet, a empresa HDM Global confirmou o retorno inesperado da marca ao Brasil e o diretor-executivo da empresa, Florian Seiche, afirmou que as novidades vão poder ser adquiridas em muitas lojas do mundo tecnológico.

“Tenho novidades muito excitantes para nossos fãs no Brasil. Sei que todos vocês esperam pacientemente para colocar suas mãos em um smartphone da Nokia. É um prazer anunciar que os celulares da Nokia chegarão em breve a uma loja perto de você no Brasil”, declarou.

Novo smartphone

A marca também anunciou qual será seu primeiro lançamento que marcará o retorno da Nokia ao mercado tecnológico. O Nokia 2.3, um smartphone Android de entrada que vem ao mercado com um valor considerado acessível, variando de R$ 800,00 a R$ 1.000.

O novo smartphone da Nokia possui ferramentas como processador Quad-Core de 2 GHz, 2GB de RAM e 32 GB de memória interna, tela LCD de 6,2 polegadas que ocupa quase toda a frente do aparelho, com exceção de um “queixo” abaixo dela e um notch para a câmera frontal de 5 MP no topo. Na traseira há duas câmeras, uma principal de 13 MP e uma secundária de 2 MP, que serve como sensor de profundidade, o que parece ser o diferencia da nova tecnologia da marca é a bateria de 4.000 mAh que promete ter duração de “dois dias”, uma perda que o smartphone traz é a perda sensor de impressões digitais que permite o usuário destravar o aparelho com os dedos, para quem não se adaptou a ferramenta em outros aparelhos o Nokia 2.3 pode ser um bom investimento.

O sistema operacional do aparelho é o Android 9 Pie, mas a maca promete atualizações de sistema por dois anos e correções mensais de segurança por três anos. O smartphone já pode ser adquirido em lojas on-lines como o Submarino, Americanas, Shoptime e Pernambucanas que oferece a inovação no valor de R$ 899.

A era de ouro

Em 1984, a Nokia se aliou a uma fabricante finlandesa, conhecida como Salora Oy que logo após a compra se tornou a “Nokia-Mobira Ou” e foi por meio desse investimento que a marca desenvolveu grandes telefones no mercado tecnológico. Os aparelhos se tornaram os queridinhos do mercado e até foi usado pelo líder soviético Mikhail Gorbachev, que rendeu muitas vendas a marca após ser flagrado usando o modelo Mobira Cityman 900.

Vendo o potencial do eletrônico, a Nokia continuou ligada à produção não só de hardware, mas também das tecnologias de transmissão. Ela foi uma das marcas mais atuantes no desenvolvimento da Global System for Mobile Communications (GSM) desde a segunda geração, inclusive sendo a responsável pela primeira chamada comercial nesse formato.

A Nokia permaneceu no topo da produção tecnológica por uma década e chegava a faturar aproximadamente US$ 7,2 bilhões em apenas um trimestre, fazendo com que 900 milhões de pessoas em todo o mundo adquirissem um celular da empresa. Confira alguns modelos que marcaram a era de ouro da marca nos anos 90:

Nokia 8110 (1996), o celular de “Matrix”
Nokia 8110 (1996), o celular de “Matrix” | Foto: Reprodução
Nokia 3310 (2000), o indestrutível
Nokia 3310 (2000), o indestrutível | Foto: Reprodução
Nokia 6650 (2002), o primeiro com 3G
Nokia 6650 (2002), o primeiro com 3G | Foto: Reprodução
Nokia N90 (2005), com a câmera lateral
Nokia N90 (2005), com a câmera lateral | Foto: Reprodução

Do triunfo a queda

A empresa também se destacou na fabricação de outros aparelhos considerados inovadores em 1998, a quando a marca lançou o sistema operacional Symbian para as agendas eletrônicas que estavam no auge do mercado na época. O sistema passou a ser implantando em celulares e a ser licenciado para rodar em modelos de outras marcas.

Antes dos sistemas Android e IOS dominarem o mercado tecnológico, o Symbian dominou as ferramentas telefônicas e era usado em aparelhos de marcas como Samsung, Sony Ericsson, Motorola e da própria Nokia.

Durante muitos anos o sistema reinou entre os celulares mais consumidos naquela década, porém, uma série de bugs, falhas de segurança e alta fragmentação que as novas versões apresentaram levaram a Nokia a perder espaço e a suspender as atualizações de software do serviço.

A era Microsoft

No começo de 2001, os aparelhos da marca já deixavam claro que não conseguiram acompanhar as mudanças do mercado que ela mesma ajudou a construir. A crise envolveu um recall de baterias que resultou em um enorme prejuízo na imagem, nas finanças da marca e a demissão de 1,7 mil funcionários que representavam a companhia ao redor do mundo.

Para diminuir os danos, quem assumiu como CEO da marca foi Stephen Elop que ficou famoso por conta de um discurso apocalíptico em que citou que a companhia era “um homem parado em cima de uma plataforma em chamas”. Em setembro de 2013, quando parecia que a empresa estava novamente destinada a sumir, a gigante Microsoft comprou toda a divisão mobile da parceira finlandesa pelo equivalente a R$ 17 bilhões para que a Nokia pudesse disputar o mundo dos smartphones junto a Samsung e ao IOS.

A parceria durou 18 meses e rendeu várias linhas de celulares e alguns tablets. O Brasil foi um dos maiores públicos consumidores da marca, muito possivelmente ainda pegando carona na fama da Nokia nos anos anteriores, no entanto o reinado da marca chegou ao fim quando Microsoft anunciou que os aparelhos da marca não seriam mais fabricados, em 2014.

Atualmente pela HDM Global, a marca ganha um novo capítulo da sua história e os consumidores que era fãs dos aparelhos da Nokia estão ansiosos e esperançosos com o retorno, como garantiu o acadêmico de jornalismo Kelvin Dinelli.

“A maioria dos celulares que já tive era da Nokia e eram muito bons, acho que o retorno será positivo e espero que a marca faça o mesmo sucesso que fazia antes e que traga as mesmas qualidades e custo-benefício que os aparelhos antigos possuíam”, destacou.

Entre as exigências do acadêmico para a nova tecnologia é que a durabilidade seja a mesma da produção anterior.

“Gostaria que continuassem com celulares duráveis e com ótimas configurações da câmera e de performance, já andei pesquisando sobre alguns modelos e inclusive já tive contato com os celulares atuais da marca em uma viagem para outro país se eles cumprirem o que prometem eu penso em deixar o IOS para investir neles”, afirmou Dinelli. 

Ainda não há confirmações se a marca irá manter todas as funções que marcaram sua trajetória, mas com o potencial da Nokia bons aparelhos serão lançados.