Manaus – Nesta terça-feira (18) o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco)  em cumprimento a solicitação do Ministério Público do Amazonas (MPAM), deflagrou a “Operação Bilhete Premiado”, que ordenou o mandado de busca e apreensão de três ex-diretores da Secretaria de Estado de Habitação (Suhab) e outro ex-administrador do órgão está investigado.

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A operação tem como objetivo apurar os crimes de tráfico de influência
A operação tem como objetivo apurar os crimes de tráfico de influência | Foto: Marcely Gomes

A operação tem como objetivo apurar os crimes de tráfico de influência, fraude e dispensa indevida de licitações, que envolvem a contratação por parte da Suhab, da empresa no valor de R$ 5 bilhões da empresa Ezo Soluções Interativas.

De acordo com o Coordenador do Gaeco, Promotor de Justiça Reinaldo Nery, o MPAM em conjunto com a Polícia Civil houve cumprimento do mandado de busca e apreensão dos ex-diretores Nilson Cardoso, José Júlio César Corrêa e Leandro Xavier. Na época os agentes públicos interviram para a contratação da empresa de consultoria que não respeitou as regras adotadas pelo Estado, por não haver licitações.

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Conforme o promotor, as apreensões foram realizadas na residência dos ex-diretores. Os promotores alegaram que havia influência de forma indevida às decisões da Suhab pelo advogado José Júlio Corrêa. 

A operação tem como objetivo apurar os crimes de tráfico de influência
A operação tem como objetivo apurar os crimes de tráfico de influência | Foto: Marcely Gomes

Como ex-diretor do órgão, ele passou a advogar para a empresa Ezo Soluções Interativas, com a promessa de que receberia o valor de RS 200 milhões a título de prêmio.

O Promotor Reinaldo Nery também afirmou que houve tráfico de influência da empresa  porque as pessoas que estavam à frente do órgão defendiam interesses de uma empresa privada. “Buscamos realizar a operação com base na coleta de provas como celulares, computadores, documentos. Esses materiais vão passar por análise. Durante a investigação, podemos chegar a outros nomes”, acrescentando que a quarta pessoa investigada é um ex-administrador da Suhab, porém a justiça não deferiu o mandato de busca e apreensão contra ele.

As equipes do Gaeco e da Polícia Civil apreenderam documentos, computadores portáteis, “smartphones” e “tablets” que já estão sendo periciados. Na sede do Ministério Público, pessoas que possam ter envolvimento com os crimes também estão sendo ouvidas. 

Davi Almeida

O ex-governador Davi Almeida, à frente do governo na época da ocorrência investigada, disse ao Portal Em Tempo que não tinha  conhecimento das contratações ilícitas realizadas pelos então diretores da Suhab. “Saí do governo em outubro de 2017 e fique sabendo desse contrato em abril de 2018. A Suhab tem autonomia administrativa e jurídica. Esse contrato não passou pela Casa Civil, muito menos pela Procuradoria do Estado para ter o aval do governo. Não sou objeto da investigação e espero que os investigados tenham amplo direito de defesa”, concluiu o ex-governador.

Sobre o mesmo assunto, a assessoria de Davi Almeida divulgou nota à imprensa:

O ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), David Almeida, afirma que apóia as investigações do Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM) a respeito do caso Suhab, e espera que seja dada a ampla defesa aos investigados.

David observa que não é alvo das investigações e que é o principal interessado na verdade dos fatos. Ele explica que a Suhab é uma autarquia com personalidade jurídica própria, inclusive com procuradoria autárquica própria. Ela, portanto, tem autonomia administrativa e todos os atos são gerenciados e autorizados pelo gestor, o ordenador de despesas.

(Izaias Godinho – Em Tempo)

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