Menina de 4 anos foi espancada e estuprada pelo padrasto aponta a Justiça. Caso ocorreu em maio de 2016 em Manaus — Foto: Arquivo pessoal

Kedson da Silva Coelho foi condenado pelo Tribunal de Justiça a 38 anos de reclusão, em regime fechado, pelos crimes de tortura e estupro contra a enteada Letícia Ferreira Lobato de apenas 4 anos de idade. O crime ocorreu no dia 2 maio de 2016, na casa da mãe da menina, no bairro Santa Etelvina, Zona Norte de Manaus.

O julgamento foi finalizado pela 1ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus nesta quarta-feira (10), no Fórum Ministro Henoch Reis, bairro São Francisco, zona Centro-Sul da capital. A mãe da criança, Pâmela Borges Ferreira foi absolvida pelo Conselho de Sentença.

Kedson da Silva Coelho havia sido denunciado pelo Ministério Público pelos crimes de homicídio qualificado por motivo torpe, além de conjunção carnal, prática de ato libidinoso com menor de 14 anos, várias vezes e crime de tortura contra a criança.

Durante o julgamento, o promotor de justiça Armando Gurgel Maia pediu a desclassificação do crime de homicídio qualificado para tortura com resultado em morte. Os jurados optaram pela desclassificação e, com isso, Kedson da Silva Coelho foi condenado pelos demais crimes cometidos contra a criança.

Após a decisão dos jurados pela condenação do réu, o juiz Mateus Guedes Rios, que presidiu a sessão de julgamento, aplicou a pena de 38 anos de reclusão em regime fechado. A sessão de julgamento teve como representante do Ministério Público do Estado do Amazonas o promotor Armando Gurgel, o defensor público Antônio Ederval de Lima e o advogado Thiago Bastos Tavares da Silva, atuaram na defesa dos réus.

Sobre o crime

O crime ocorreu em uma residência na rua São Severino, bairro Santa Etelvina. De acordo com denúncia feita pelo Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE), Kedson da Silva Coelho (que tinha 21 anos na época) agrediu fisicamente a enteada, causando-lhe a morte.

A criança foi levada ao Serviço de Pronto Atendimento do conjunto Galileia, na Zona Norte da capital e morreu as 22h.

A menina apresentava hematomas pelo corpo. Na época, o pai de Letícia, o petroleiro Leonardo Olavo, conversou com o G1 sobre o caso. Ele disse que a criança passava os fins de semana na casa da mãe e do padrasto.

“Eles disseram que ela passou mal, deu entrada no hospital e morreu. Parece que foi o próprio médico de lá [SPA] que ligou para a polícia depois de suspeitar porque ela tava com marcas pelo corpo. Ela já vinha se queixando de dor de cabeça e eu já via escoriações no braço dela. Mas sempre que perguntava dela ou da irmã, elas falavam que tinha acontecido uma queda ou batido na porta”, disse.

Em depoimento prestado no 15º Distrito Integrado de Polícia (DIP) na madrugada desta terça-feira (3), ao delegado, Torquato Mozer, mãe e padrasto disseram que a criança teria sofrido uma queda no banheiro, no dia 30 de abril. Após a queda, a criança veio piorando no decorrer dos dias, ao qual o padrasto resolveu levar a criança ao hospital. Ela chegou lá desacordada.

Mozer ainda disse que o hospital notificou a polícia após a constatação da morte de Letícia.

Conforme os autos, Kedson se aproveitava dos momentos em que ficava sozinho com a vítima, cuidando da mesma, para realizar agressões físicas violentas, o que era feito constantemente. A violência acontecia na presença da irmã da vítima, também menor de idade.

Fonte: G1