Ácool gel

O desabastecimento de álcool em gel em diversos estados brasileiros, em plena escalada do novo coronavírus, acendeu o alerta da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). A agência decidiu adaptar guia da OMS (Organização Mundial da Saúde) para aumentar a produção no Brasil. O documento traz instruções de como empresas podem obter o produto antisséptico sem carbopol, composto químico em falta no mercado mundial.

″O que está impedindo uma maior produção e entrega no mercado do álcool em gel é a falta da matéria-prima [carbopol]”, afirmou ao HuffPost o gerente da área de saneamento da Anvisa, Webert Santana. De acordo com o especialista, a diretoria da agência pediu estudos internos sobre o tema e vai rever essa orientação de produção nos próximos dias. “Está sendo analisado internamente e deve ser publicada alguma coisa [resolução] nesse sentido, falando dessa formulação, o que deve ter”, disse.

Um grupo de pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) traduziu o guia da OMS que sugere o uso de outras matérias-primas. De acordo com o pesquisador Filipe Canto Oliveira, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto, trata-se de uma combinação de álcool 70%, que mata microorganismos, com glicerol, para manter a hidratação, e peróxido hidrogênio, que inativa “esporos de bactérias que álcool 70 sozinho não consegue”.

O cientista afirma que o Brasil é um dos maiores produtores de etanol do mundo e que as outras substâncias também são facilmente encontradas. De acordo com ele, nos Estados Unidos, destilarias estão produzindo e distribuindo para hospitais. No Brasil, é necessária liberação da Anvisa para assegurar esse fornecimento.

Empresas ampliam produção de álcool em gel

Empresas que tradicionalmente não produzem álcool em gel têm atuado a fim de contribuir para conter a pandemia do novo coronavírus no Brasil. Nesta semana, a Ambev começou a distribuir 500 mil unidades do produto para hospitais nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. De acordo com a assessoria de imprensa da cervejaria, “as secretarias de saúde de cada município receberão os produtos e ficarão encarregadas de abastecer os hospitais da sua rede pública de saúde”.

Devido à capacidade de produção, a Ambev afirmou que não tem condições de expandir a iniciativa. “Infelizmente, temos alguns limites para expandir a ação, de capacidade e de possibilidade, porque nem todas as nossas cervejarias são capazes de produzir etanol. Diante disso, priorizamos os hospitais públicos dos municípios onde se concentram a maioria dos casos até o momento”, afirmou a empresa, em nota enviada ao HuffPost.

A Marfrig, companhia de alimentos, também anunciou a produção de 10 toneladas mensais de álcool em gel na fábrica em Promissão, no interior de São Paulo. “O primeiro lote será distribuído para as 12 unidades da companhia instaladas no Brasil. Os lotes seguintes serão destinados aos 18 mil colaboradores da Marfrig no País e doados para instituições assistenciais e hospitais localizados nas cidades nas quais a companhia atua”, informa a empresa.

O que fazer se não achar álcool em gel?

Com as limitações do mercado para suprir a demanda de álcool em gel nas prateleiras, muitos consumidores não têm encontrado o produto. A principal recomendação de especialistas de higienização para evitar o contágio do novo coronavírus é lavar as mãos da maneira correta: com a quantidade de sabão suficiente para cobrir toda a superfície das mãos, além de incluir esfregar entre os dedos, dorso e punho. O médico Dráuzio Varella gravou um vídeo demonstrando o passo a passo.

É preciso lavar as mãos antes e após o preparo de alimentos e quando for comer, além de antes de depois de entrar em contato com pessoas infectadas. Também é recomendado evitar tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas.

O álcool em gel deve ser usado para quem precisa sair de casa para trabalhar ou para atividades essenciais, como ir ao mercado. Algumas alternativas para quem não encontrar o produto são outros produtos cosméticos. “Existem nos mercados, em especial, nas farmácias, outros tubinhos bem parecidos com o álcool em gel, que são substâncias com outros ativos: triclosan, clorexidina, cloreto de benzetônio. São substâncias que têm potencial ativo que mata germes e bactérias”, recomenda Webert Santana, da Anvisa. 

O especialista também lembra da necessidade de reaplicar, se a pessoa estiver fora de casa. “Se tocar em qualquer coisa de novo, precisa repetir o processo quantas vezes for necessário. Se eu desci do ônibus e limpei a mão, estou caminhando e peguei em alguma coisa, imediatamente, repete o procedimento porque se você entrou em contato com o vírus e levar a mão à mão ou olhos, você vai se contaminar”, afirma. Além disso, para matar os microrganismos, o  álcool gel precisa ter porcentagem entre 65% e 80%.