A realização do Festival Folclórico de Parintins em 2020 voltou a ser assunto debatido pelo Governo do Estado do Amazonas e pelas agremiações dos bois-bumbás Garantido e Caprichoso em meio à aparente melhora no quadro da pandemia de covid-19 no amazonense. 

Durante coletiva com o Governador Wilson Lima (PSC), após divulgação do calendário da retomada do comércio no Amazonas – em que eventos e casas de shows não estão inclusivos nem tem data definida -, a questão foi levantada.

”Se você me perguntar hoje se vai acontecer o festival, direi que não temos uma resposta. Não sabemos como será a pandemia nos próximos meses e anos. Vamos conversar com os bois para construir uma proposta para o melhor da ilha de Parintins e das pessoas que esperam a festa”, respondeu o governador ao ser questionado sobre a realização do Festival.

As duas associações folclóricas se mostram a favor da definição de uma data para o evento em 2020. Em entrevista ao jornal EM TEMPO, o presidente do Boi Caprichoso, Jender Lobato, enfatizou que Festival será crucial na retomada da economia do Amazonas.

‘’O Festival Folclórico de Parintins é muito importante para nós, pois ele não é uma festa ou um evento qualquer. Ele é uma das principais fontes de renda para Parintins. O Caprichoso defende a realização do Festival em 2020”.

Economia

Conforme levantamento do Departamento de Estatística da Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (Amazonastur), o Festival Folclórico de Parintins foi responsável por injetar aproximadamente R$ 426 milhões entre os anos de 2005 e 2018 na economia do estado. O ano mais rentável registrou ganho de cerca de R$ 46,5 milhões, e o menos rentável movimentou R$ 19 milhões.

Em 2019, a 54º edição do Festival bateu recorde no número de visitantes, e 2020 prometia um número ainda maior. Três meses antes da realização do evento, a Amazon Best, operadora oficial da festa, anunciou que os ingressos estavam esgotados, superando o sucesso do ano anterior.

“Ano passado, o festival gerou mais de 10 mil empregos. Com isso fica claro que ele é importante para reativar a economia, principalmente depois dessa paralisação no Brasil inteiro, onde estamos sofrendo com a falta de emprego e falta de renda, entre tantos outros problemas”, afirmou Jender Lobato.

Em entrevista ao O Globo, o prefeito de Parintins, Bi Garcia (PSDB), mostrou preocupação com a situação, confirmando que Festival depende da evolução da pandemia no Amazonas. “Tudo vai depender da situação sanitária do estado, especialmente de Manaus. Nossa alta temporada de navios turísticos, que dura até o fim de março, já foi afetada. Se não houver o festival, então, está prevista uma calamidade econômica”.

Defendemos a importância da realização do Festival Folclórico de Parintins em 2020 por ser a maior manifestação cultural que temos no Amazonas, mas também por conta da geração de renda, geração de emprego, e pela importância que o Festival tem para nossa cidade. Com ele, pessoas que estão desempregadas vão poder voltar a trabalhar

Jender Lobato, presidente do Boi Caprichoso

Avaliação

Em nota, a Associação Folclórica Boi-Bumbá Garantido também defendeu a realização do Festival Folclórico de Parintins em 2020, afirmando ser essencial no reaquecimento da vida econômica de Parintins. Seguindo normas de segurança definidas pelos órgãos da saúde, evento estaria sujeito à avaliação do Governo do Estado e da Prefeitura de Parintins. 

”Na expectativa positiva de que até setembro a pandemia de Coronavírus tenha sido controlada, é importante que se defina uma data possível para a realização do evento”, divulgaram em nota, ”é claro que, estando marcada a nova data e se os riscos da pandemia continuarem, ninguém, em sã consciência, seria irresponsável de insistir na realização do evento e, certamente, nesse sentido, prevalecerá o bom senso de todos”.

Garantido defende realização de Festival em 2020

O boi-bumbá torna como exemplo as festas de São João do Nordeste e o Oktoberfest de Blumenau, mantidos em outubro, porém condicionadas às condições de segurança estabelecidas pelos órgãos de controle da saúde.

(Ana Gadelha / Em Tempo)