Três narrativas unem e separam os jovens protagonistas de “Sintonia”, série original Netflix, que está disponível na plataforma para 190 países. Em seis episódios centrados na vida de Doni, Rita e Nando, interpretados respectivamente por MC JottaPê, Bruna Mascarenhas e Christian Malheiros, a produção aborda temas relevantes e característicos das favelas paulistanas, onde foram gravadas as cenas: o fascínio pelo funk, o tráfico de drogas e a igreja.

No enredo geral, cada personagem busca administrar suas experiências de infância em caminhos distintos, mas apesar de lutarem para levar uma vida diferente de onde cresceram, acabam encontrando problemas para seguir em frente sozinhos, por isso sempre contam um com o outro para achar apoio. 

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Outros nomes que aparecem na primeira temporada da série são Leilah Moreno, no papel de MC Dondoka; Vinicius Oliveira, Fernanda Viacava e Vanderlei Bernardino. MC Kekel e Dani Russo, que estarão presentes no Festival Teen, na Audio, em São Paulo, neste sábado (10), também fazem uma pequena participação em “Sintonia”. 

Criada por KondZilla em parceria com Guilherme Quintella e Felipe Braga, a série foi produzida pela Losbragas; escrita por Quintella, Duda Almeida e Thays Berbe; dirigida por Johnny Araújo; e apresenta uma ação inédita da Netflix, já que até domingo, 11, o primeiro episódio da produção vai ser disponibilizado no próprio canal KondZilla, no Youtube. 

Konrad Dantas, conhecido pelo nome artístico que leva o seu trabalho, contando com quase 51 milhões de inscritos no Youtube – o maior do Brasil e o sexto do mundo – fala sobre o processo de criação da série.

“Talvez tenha sido o projeto mais longo que eu já criei, porque começou na minha adolescência, morando em uma favela do Guarujá, ouvindo e absorvendo histórias de lá. Eu pensei, ‘se um dia eu tiver a oportunidade de trabalhar com audiovisual, gostaria de contar a história desse cara, daquele cara, do outro e do outro’. Foi baseado nisso, mas ainda sendo uma ficção”, diz. 

Em relação ao intuito de abrir espaço para produções do tipo, como um seriado que mostra a comunidade contemporânea, o empresário conta que o trabalho foi muito colaborativo para que realmente existisse o interesse mútuo da indústria para dar voz ao jovem da periferia, que é o centro de “Sintonia”. Inclusive, ao ser questionado sobre a abordagem e a representatividade reservada a essas pessoas, ele fala: “Precisava ser legítimo e autêntico para que o cara da favela assistisse e se sentisse dentro das cenas.”

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Rita Moraes, que produziu a série junto a Felipe Braga e Alice Braga, também discute sobre esse procedimento que envolve bastante representatividade.

“Construir uma narrativa clássica de entretenimento, mas sem perder a voz original, é o grande trunfo da série”, diz a produtora.

No decorrer dos episódios, o espectador consegue ver a independência criativa que os personagens, principalmente os protagonistas de “Sintonia”, tiveram ao desenvolverem as falas, utilizando gírias próprias da capital paulista. MC JottaPê, 19 anos, bombando nas paradas musicais de streaming com o single “Sentou e Gostou”, uma versão brasileira para o hit mundial “Old Town Road”, fala sobre isso. “A liberdade que tivemos foi uma das melhores coisas para o contexto geral, porque a maioria do pessoal que escreveu as falas não era de periferia, então eles deram uma base e deixaram a gente remodelar para ficar da nossa forma”, conta. 

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Seu parceiro de cena, Christian Malheiros, 20, também aborda esse que se tornou um dos pontos mais característicos da produção.”Era um trabalho muito diário. A gente falava: ‘Olha, isso não tá legal, vamos melhorar’. Foi um processo observador, eu diria. Por exemplo, sou de periferia, mas da Baixada, então as gírias lá são semelhantes, mas tem coisas aqui na capital que são muito específicas. Um foi ajudando o outro.”

Já Bruna Mascarenhas, 23, foi o grande desafio artístico de “Sintonia” porque, além de ser a última protagonista escalada, a atriz é carioca e a série é predominantemente paulistana. “Entrei depressa na fonoaudióloga e ela falou para mim: ‘Bruna, é o seguinte, você tem pouco tempo, então ‘bora’ falar como paulista da ‘quebrada’ para a sua família, seu amigos” lembra, descontraída. “Foi muito desafiador, mas eu achei que foi incrível. Consegui colocar a fala junto com o corpo”, completa a atriz.

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Atriz largou emprego em restaurante para virar Rita na série (reprodução)

No decorrer da trama, o trio passa por momentos complexos, Doni sofre com a falta de apoio do pai para se tornar MC, Rita perde a mãe muito nova, e Nando se envolve no tráfico de drogas para sustentar sua família. Questionados sobre qual foi a parte mais importante da série para eles, os atores, que se declaram amigos também fora do set, respondem que foi a última cena gravada, quando os três, juntos na sacada da casa de Doni, prometem que apesar de todas as dificuldades, sempre estarão ligados. 

Boa iniciativa

Além dos intérpretes centrais, a série também chama atenção com seu núcleo do “crime”, o que envolve um projeto junto ao agente da Penitenciária Desembargador Adriano Marrey, em Guarulhos, Igor Rocha. 

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A proposta é que os detentos do presídio diminuam o tempo de pena em troca da entrega de trabalhos artísticos. Então, os atores que representam o universo do tráfico em “Sintonia” aprenderam teatro dentro da cadeia e fazem parte de um grupo cultural por lá. 

Sucesso

Um dos pontos mais significativos da produção é a indústria da música. Durante os episódios que cercam a vida de Doni, o jovem lançou alguns singles que fazem sucesso na trama e, provavelmente, vão fazer aqui fora também, já que as músicas “Te Amo Sem Compromisso”, “Passeio na Nave” e “Taxado de Boy” vão ser disponibilizadas por streaming.


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