Bombeiros retiram dos escombros o corpo de uma mulher neste sábado (13) — Foto: Reprodução/GloboNews

Subiu para nove o número de mortos no desabamento dos dois prédios na Muzema, no Itanhangá, Zona Oeste do Rio. Na noite deste sábado (13), os corpos de um menino e de uma mulher foram retirados dos escombros. As buscas seguem e os bombeiros usam geradores de energia e refletores. Eles não vão interromper os trabalhos durante a madrugada. Quinze pessoas estão desaparecidas.

Pela manhã, uma equipe de mais 30 socorristas chegou ao local para reforçar as buscas, que têm a ajuda de cães farejadores. O resgate mobiliza mais de 100 homens. Drones e helicópteros foram usados.

Desde ontem de manhã, quando os prédios caíram, 17 pessoas foram retiradas dos escombros, sete já sem vida. Outras duas morreram em hospitais.

Não há pausas. É um trabalho minucioso, que exige esforço físico e muito cuidado. Dezesseis pessoas podem estar debaixo dos escombros.

Os bombeiros fizeram um mapa para auxiliar nas buscas. A área onde os dois prédios desabaram foi dividida em quatro. Quatro equipes fazem escavações e uma equipe descansa. Há um rodízio. As marcas verdes revelam os locais onde vítimas foram encontradas. Os pontos amarelos são considerados agora os mais importantes: mostram onde pode haver pessoas soterradas.

No desmoronamento dos prédios na Muzema sobraram partes grandes da estrutura que formaram espaços vazios. E as chances de encontrar sobreviventes são maiores.

“Realmente o tempo é o nosso inimigo, mas nós já temos relatos de pessoas que já sobreviveram em desastres de até sete dias. Então, desde o início da operação até o final, nós o tempo todo iremos trabalhar com a possibilidade de encontrar pessoas com vida. E esse é o objetivo do Corpo de Bombeiros”, afirma o coronel Luciano Sarmento, do Grupamento de Busca e Salvamento do Corpo de Bombeiros.

Homens do Exército dão apoio ao trabalho dos bombeiros. A área onde os prédios foram construídos está embargada pelo município desde 2005. O mercado imobiliário na região é dominado por grupos criminosos.

Os milicianos têm uma estratégia. Eles começam a levantar prédios e conforme os andares vão ficando prontos, vão sendo ocupados. A presença de moradores dificulta o processo de demolição pelo poder público.

Em fevereiro deste ano, a Prefeitura do Rio tinha interditado os edifícios que desabaram. A Polícia Civil já abriu um inquérito para apurar as circunstâncias do acidente. Ainda há muitas perguntas sem respostas, como quem construiu, quem são os engenheiros responsáveis e quem vendeu os apartamentos.

Assim que as buscas terminarem, a Secretaria Municipal de Habitação informou que vai demolir imediatamente três prédios vizinhos.

Pela manhã, moradores puderam pegar documentos e objetos pessoais na área interditada. “A recomendação era pegar só o básico, remédio, roupa, documento, só isso. No máximo cinco minutos”, diz uma moradora.

Os moradores mal tiveram tempo de se recuperar dos estragos causados pela chuva da última segunda-feira (8). Cinco dias depois, há ruas interditadas no local. Esses mesmos moradores – vizinhos ou parentes dos desaparecidos – acompanham com muita apreensão o trabalho de resgate.

Todos estão desolados. Se revezam, numa espécie de vigília. Zélia não vê a hora de reencontrar a irmã: “Hoje ela vai sair de lá. A gente vai ter a paz e a tranquilidade que a gente tem. Vai sair com vida”.

Fonte: G1