A saga da compra e reabertura do Tropical Hotel em Manaus ganhou um novo episódio. Em leilão realizado, na terça-feira (11), pelo leiloeiro público Jonas Rymer, no Rio de Janeiro, o complexo hoteleiro foi arrematado por um lance de R$260 milhões. A informação foi divulgada pelo jornalista Ancelmo Gois, do jornal O Globo, e confirmada pelo advogado do Tropical, Pedro Cardoso. 

“O hotel foi sim arrematado por esse valor e, conforme previsto no edital, o arrematante tem até 2 de março para fazer o depósito de caução. Até essa data, continuamos na administração judicial do hotel. Após, faremos a transição para o novo dono”, explicou o advogado.

 Segundo Cardoso, o comprador já adiantou que pretende reabrir o hotel após reformas, assim como recontratar os ex-funcionários que foram demitidos com a quebra do Tropical. 

O arrematante é o empresário Otacílio Soares de Lima. Além dele, outras duas empresas participaram do leilão: a Geretepaua Empreendimentos Imobiliários e Nyata Serviços Financeiros Ltda. 

A Nyata, empresa amazonense, já havia participado de leilão pelo Tropical em dezembro de 2019, com o lance de R$120 milhões, mas acabou não arrematando o espaço pois não depositou a caução obrigatória de R$ 6 milhões.

No leilão da terça (11), o empresário superou o lance de R$255 milhões da Geretepaua. A Nyata ofereceu R$135 milhões. 

De acordo com o auto de arrematação, Otacílio tem até o dia 2 de março para efetuar o pagamento do depósito. Caso não o faça, valerá o lance do segundo colocado, o Geretepaua. 

Histórico

Fundado em 1976, o Tropical Hotel foi um dos maiores complexos turísticos hoteleiros da América do Sul, com área de 235 mil m², quadras de tênis, ginásio poliesportivo, praia privativa e até um zoológico particular. O resort começou a enfrentar instabilidade financeira ainda em 2000.

 A crise econômica piorou a arrecadação do hotel, que já acumulava uma dívida de R$20 milhões com a concessionária de energia elétrica. O Tropical fechou as portas em maio de 2019. 

“O hotel faliu por contas de vários fatores, inclusive administrativos, não só da questão da energia. Quando assumimos em agosto, contratamos equipes para a segurança do local, mas é complicado porque tiramos do próprio bolso”, disse o advogado da massa falida, em entrevista em novembro de 2019.

O fechamento causou demissões em massa e trouxe à tona débitos trabalhistas do empreendimento, que pode ultrapassar R$ 20 milhões, segundo o Sindicato dos Empregados do Comércio Hoteleiro do Amazonas.