Foto: Yuri Pinheiro/Prefeitura de Parintins

O pesquisador em geociência do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Marco Oliveira, alerta sobre a possibilidade de formação de “tsunami fluvial”, caso a orla da cidade de Parintins venha a desmoronar. Segundo o especialista, a formação do fenômeno depende da quantidade de terra movimentada com o deslizamento. Quanto maior a quantidade, maior a onda.

A Prefeitura Municipal de Parintins decretou situação de emergência em razão de desmoronamento na orla. Mas, o pesquisador afirma que a margem da cidade tem mais de 2 quilômetros de extensão, e que o risco de desabamento é real, porém existem pedras que a seguram em sua base. O fenômeno pode acontecer também em outros pontos dos rios Amazonas, Solimões e Madeira, esclarece Oliveira.

Atualmente, dois milhões de toneladas de sedimentos passam por dia pelo rio Amazonas, na altura no município de Parintins, a 369 km de distância de Manaus.

“Parte desses sedimentos em suspensão se depositam nas margens dos rios e também criam as ilhas. A cada cheia, ou vazante, o canal do rio pode migrar de local e quando ele muda, provoca a erosão, conhecida como fenômeno das terras caídas”, explicou.

Segundo Marco Antonio, a orla de Parintins tem aproximadamente 2 km de extensão que, apesar da erosão, tem pedras que a seguram em sua base. Mas devido a grande erosão, o pesquisador, diz que existe sim o risco da mesma desabar sobre o rio Amazonas e causar o ‘tsunami fluvial’ que podem atingir outros municípios como Barreirinha e comunidades do lado esquerdo do Rio Amazonas.

O pesquisador lembra que a tsunami fluvial ocorreu em duas situações recentes, uma delas em 2007, na própria ilha tupinambarana, com ondas de 10 metros de altura. “Na época, ocorreu na margem do rio Amazonas, na comunidade Saracura, um deslizamento de terra de grande porte, que mobilizou cerca de 500 m de extensão do barranco, por 60 m de profundidade. Esta terra, quando caiu no rio, gerou uma onda que se propagou para outra margem, atingindo outras comunidades”, contou Marco Oliveira em entrevista.

Outro caso. ocorreu em 2010, com o desabamento da orla do Porto do Chibatão, em Manaus, que criou ondas gigantes que atingiram a outra margem do Rio Negro, matando alguns trabalhadores.

A erosão em Parintins afeta as áreas do Porto até o Matadouro municipal; trecho do Comunas Bar até o início da Rua Senador Álvaro Maia; trecho da Escadaria da Praça São Benedito até a Cidade Garantido), e em consequência o trincamento dos muros de contenção existentes na parte frontal da orla de Parintins, no trecho entre a Rua Caetano Prestes até a Rua Senador Álvaro Maia.

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