“Minha vida mudou totalmente, choro todos os dias e só espero por Justiça”. Esse é o depoimento de uma estudante de jornalismo, de 20 anos, que foi agredida e ameaçada por um suposto advogado, identificado como Carlos Queiroz. A vítima formalizou a denúncia na manhã desta quarta-feira (15), na Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM), na Zona Centro-Sul de Manaus.

Conforme a vítima, as agressões aconteceram na madrugada do último domingo (12), no apartamento onde o suspeito mora, localizado em um condomínio na avenida Constantino Nery. A estudante explicou que conhecia Carlos há aproximadamente um mês e passou a ter um relacionamento amoroso com ele e por muito pouco o, então, romance, não acabou em tragédia. 

“Estávamos juntos no apartamento dele, quando por volta de 1h30 ele queria sair para comprar mais bebidas, eu tentei impedir e me recusei a ir. Então ele começou a ficar irritado, me xingou, fiquei nervosa e comecei a chorar na hora. Ele ainda me pressionou contra a parede e ficou apertando meu rosto”, relatou a vítima. 

Além dos xingamentos, a vítima afirma que o homem ainda cuspiu no rosto dela. Com o celular escondido, ela conseguiu gravar áudios da confusão:

“Sua mentirosa, p***, rapariga, depósito de esperma. Vocês mulheres são dissimuladas ”, grita ele em um dos trechos.

Após sofrer a violência doméstica, a vítima informou que pediu ajuda de um amigo que foi buscá-la no condomínio. “Consegui sair porque eu disse que era o meu pai que teria ido me buscar, mas ele ainda me empurrou e queria ir atrás de mim, e evitei. Depois fui direto na Delegacia da Mulher, mas não consegui fazer o Boletim de Ocorrência na hora. Voltei no dia seguinte, e foi quando iniciou-se os primeiros procedimentos”, disse a estudante. 

Ameaças

Dias após ser atacada, a estudante passou a receber ameaças do suspeito por meio de mensagens no celular. “Eu conversei com ele sobre situações da minha vida pessoal e da minha família e ele disse que iria expor todas as minhas coisas intimas. E me mandava fugir, porque iria pagar com o que estava fazendo com ele, sendo que ele é o agressor”, contou.

O suspeito 

Ainda conforme a vítima, Carlos Queiroz se apresentou como advogado, no entanto, após a realizar a denúncia e passar a pesquisar sobre a vida do suspeito, a estudante de jornalismo e seus advogados de defesa descobriram que o autor do crime pode estar mentido em relação à vida profissional. 

“Ele desativou as redes sociais, mas conseguimos obter prints. No perfil, ele se dizia atuar na Ordem Dos Advogados do Brasil – Seccional Amazonas (OAB-AM), se mostrava um advogado militante e postava fotos em vários fóruns na capital. Também divulgava um escritório que seria de propriedade dele, mas conseguimos encontrar o verdadeiro dono e o local é em Salvador. Buscamos em site de registro nacional e não encontramos nada com o nome dele”, explicou a advogada de defesa Sarah Serruya. 

Além do crime de violência doméstica, a defesa da vítima também solicitou a inclusão do crime de ameça e medida protetiva para a estudante. O paradeiro do suspeito ainda é desconhecido. A DECCM continua investigando o caso. 

(Em Tempo)